– Ezequiel fugiu da cadeia, Luc – disse Ygor naquela tarde enquanto o museu enchia de gente para ver a nova atração.

– O quê? – questionou Luc.

Zack se aproximou junto com o chefe da segurança do museu. Eles estavam na sala de controle observando os visitantes quando Ygor recebera uma mensagem no celular.

– Eu pedi para o delegado me manter informado sobre o caso Ezequiel depois que Luc o capturou – explicou Ygor – E o delegado acabou de me dizer que ele fugiu depois de subornar um guarda com vale refeição.

– E o que a polícia está fazendo? – perguntou Zack.

– Estão na procura, mas até agora não sabem a localização.

– Mas que droga. É por isso que a cidade está esse lixo, a porcaria da polícia não sabe fazer o serviço deles – resmungou Zack.

– Fica calmo, rapaz – disse o chefe do segurança.

– Droga – falou Luc – Acabou o café.

– O que faremos, Luc?

– Nada.

Todos olharam para o detetive.

– Como assim? – disse Zack.

– Por que Ezequiel voltaria para cá? Ele vai fugir para outra cidade agora que escapou, como ele sempre faz.

– É – Ygor cruzou os braços – Acho que ele tem razão.

– Ele não vai voltar, posso garantir. Estamos seguros. Continue os procedimentos de segurança.

Embora relutantes, eles confiaram na palavra do senhor Mobo. E mesmo assim, naquela noite, Ezequiel, mais conhecido nessa história como o ladrão sujo, retornou ao museu. Driblou as câmeras, usou a senha numeral, entrou no cofre e fugiu com a vara de Arão. Ezequiel estava manco devido ao atropelamento, mas sua habilidade ainda estava intacta.

O ladrão foi até o local de encontro e entregou a vara ao verdadeiro ladrão infame.

– Agora todos os museus do mundo vão querer pagar milhões por essa belezinha.

No dia seguinte, Luc não pagou a entrada no museu. Isso porque havia uma dúzia de policias no museu interrogando.

Quando Ygor o viu, correu até o detetive.

– Roubaram, Luc! Roubaram a vara de Arão.

Zack e o chefe de segurança estavam conversando com os policiais.

– Ninguém precisa se preocupar! – exclamou Luc chamando a atenção de todos – Eu coloquei um rastreador na vara.

Todos olharam incrédulos para o detetive.

– Conversei com o delegado e a essa altura, a polícia já deve ter chegado a casa do verdadeiro ladrão.

– Verdadeiro ladrão? – questionou Zack.

– Exato. Desde o início, nunca me convenci de que Ezequiel era o verdadeiro ladrão. Então eu pedi para o delegado deixar Ezequiel escapar.

– Como é?! – Ygor falou mais alto do que pretendia.

– Eu tinha certeza que um gatuno da categoria de Ezequiel ia voltar para roubar a vara afim de ganhar uma grana por isso. Então eu só uni o útil ao agradável.

– Genial! – disse Ygor dando um tapa nas costas de Luc.

– Ora, ora, devo lhe dar os parabéns – falou Zack – Eu fiquei muito surpreendido com sua inteligência, como eu já dissera anteriormente.

Luc assentiu com a cabeça.

– Então acho que não temos muito o que fazer por aqui – continuou Zack – Vamos reabrir o museu com sua atração principal.

– Está com muita pressa, Zack? – perguntou o senhor Mobo.

– Quem… Quem? Eu? Não.

– Que ótimo. Pois você vai para a prisão.

O vice presidente do museu olhou para os lados e correu. No entanto, Luc jogou um bumerangue na direção dele. Quando atingiu as pernas do pilantra, o bumerangue soltou cordas que se enrolaram na canela do bandido e este caiu.

– Este brinquedo é uma cortesia do meu amigo Aranha Negra – regozijou Luc.

Você, caro leitor, pode adquirir agora mesmo o bumerangue do Aranha pelo site: LojadoAranhaNegra.com. Todos os lucros serão doados para entidades carentes.

Ygor estava sem entender, assim como a polícia.

– Este é o seu criminoso, Ygor – disse Luc se aproximando de Zack – Eu fiquei em dúvida no início porque não entendia as motivações de Zack, mas com o tempo, passei a perceber no modo como ele tratava o museu. Ele odeia esse lugar e mais ainda, odeia você, Ygor.

– Mas por quê? – questionou Ygor.

Luc Mobo algemou o bandido e colocou o bumerangue de volta no bolso do jaleco.

– Ser vice é uma merda! Eu estou sempre a sua sombra, estou sempre a sombra de alguém – vale assaltar que Luc estava fazendo sombra para Zack naquele momento – Eu queria levar você a falência e depois comprar este lugar para montar um novo museu com o nome Zack para brilhar.

– Levem ele daqui – disse Luc para os policiais.

– Tudo teria funcionado se esse detetive intrometido não tivesse aparecido.

– Acho que já ouvi essa frase em outra série – falou Luc sorrindo.

Zack foi levado para a delegacia onde o condenaram a sete anos de prisão. Ezequiel não foi muito longe e também foi condenado. Entretanto, na manhã seguinte, o nome de Ezequiel apareceu na primeira página de todos os jornais, blogs e sites da cidade. E Zack só foi citado nas entrelinhas.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

No dia seguinte, Luc reapareceu no museu. Pagou a entrada e olhou para tudo como se fosse a primeira vez.

Mas quem veio encontrá-lo quando soube de sua chegada, foi Zack.

– Ah, olá Zack. Como vai? – cumprimentou o detetive.

– Olá, senhor Mobo. Soube do que aconteceu ontem?

– O quê?

– Roubaram a maleta com a vara de Arão.

Luc Mobo sorriu olhando para o cálice de Belzasar.

– Sempre sonhei tomando café neste cálice.

– Está me ouvindo, senhor Mobo? Roubaram a vara de Arão!

– Não roubaram. Está no meu carro – disse Luc.

Zack revirou os olhos e colocou a mão no ombro do detetive.

– Como é?

– Eu capturei o ladrão ontem a noite enquanto ele tentava roubar a vara.

– Então quer dizer que você descobriu quem estava por trás dos roubos?

Luc assentiu com a cabeça enquanto olhava para Zack com o rosto cheio de orgulho.

Zack abraçou o detetive apertado.

– Obrigado, senhor Mobo! Obrigado.

– Ei, ei, ei, não precisa disso.

– O senhor não sabe como essa vara é importante para o nosso museu. Colocamos o cartaz anunciando e imagine como poderíamos dizer ao público que nosso artefato mais importante sumiu.

– Eu entendo. Alias, você tem um pouco de café aí?

Zack soltou uma gargalhada.

– O senhor é muito engraçado. Devo confessar, no início achei que você era um babaca.

– A maioria das pessoas pensa isso – disse Luc.

– Venha, vou te servir um café enquanto o senhor me conta sobre esse ladrãozinho que estava roubando nosso museu.

A grande verdade era que o ladrão apreendido por Luc era apenas um gatuno chamado Ezequiel. Ele vinha furtando vários artefatos de outros museus em muitas cidades. A mais recente condenação de Ezequiel tinha sido em Willy City, de onde ele conseguira escapar depois de subornar um guarda com vale refeição.

Naquela noite, a vara de Arão estava sendo colocada em uma vitrine onde seria exibida ao público no dia seguinte.

– Sinceramente, não sei o que faríamos sem você, Luc – disse Ygor.

– Você não vai querer me agarrar igual ao Zack, né?

Zack, que admirava a beleza da vara, deu uma gargalhada.

O isqueiro pairava inquieto na mão de Luc Mobo. Seu plano estava funcionando.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

A explosão no hotel causara muito audiência indesejada enquanto Luc Mobo só queria uma cama para deitar.

Depois de muito alvoroço, repórteres, bombeiros, policiais e paramédicos, Jerry chegou com um pouco de café quente em uma xícara.

– Oh, quem dera Jesus tivesse feito todas as pessoas com um cérebro igual ao seu, Jerry – disse o detetive sorrindo – Tudo o que precisamos depois de uma explosão é um pouco de café quente.

Se Jerry não conhecesse o senhor Mobo diria que ele estava caçoando de sua cara, mas não era. Luc adorava um bom café depois da ação, principalmente após as tentativas incansáveis de assassinato.

O recepcionista também estava com um envelope endereçado ao detetive.

– Quando o senhor chegou, eu acenei com a mão para dizer que havia uma correspondência.

– Eu pensei que você estivesse dizendo olá – disse Luc.

Jerry olhou para o detetive, desconcertado.

– Eu também estava dizendo olá.

Luc pegou o envelope e abriu. Havia uma folha de caderno com uma mensagem escrita. 

DEIXE O MUSEU PARKER FORA DE SEUS NEGÓCIOS.

O detetive dobrou a folha cuidadosamente e a colocou de volta no envelope. Depois, tomou um gole de café em silêncio.

– Está em perigo, senhor Mobo?

– Jerry, posso lhe contar um segredo?

– Claro.

– Esses desgraçados destruíram minha TV 4K curvada.

O recepcionista franziu a testa enquanto Luc tomava outro gole de café.

– E sabe o que é pior? – perguntou o detetive.

– O que?

– Ainda não terminei de pagá-la.

Jerry pensou que Luc Mobo ia chorar, mas o detetive apenas terminou de beber o café em silêncio. Bom, não em tanto silêncio. Sabe como é, né? Luc gostava de falar muito.

– E sabe o que é pior ainda?

– O que? – indagou o recepcionista nem tão empolgado.

– Ela não estava no seguro.

No dia seguinte, Luc foi até o museu Parker. Havia um grande cartaz na entrada sobre a nova aquisição do museu e o dia de lançamento. Você pode ver o que estava escrito no cartaz em MuseuParker.com.

Luc Mobo pagou meia entrada porque tinha um cartão de desconto. Anteriormente, ele tinha tentado pagar a entrada com vale refeição e quase foi expulso pelo caixa. Vale um adendo aqui, não tentem subornar um caixa de museu com vale refeição.

O detetive observou todas as obras do museu como se fosse a primeira vez que estivesse ali. Seus olhos brilhavam a cada nova peça.

Naquele momento, Ygor apareceu.

– Luc?

– Olá – disse o detetive cumprimentando o amigo.

– Eu soube do que aconteceu no seu apartamento.

– Sim, ele explodiu.

– Eu tentei ligar, mas seu celular só dava caixa postal.

– Eu desliguei aquela porcaria. Não queria ouvir um monte de gente lamentando.

– Como assim?

– Ah, você sabe – disse Luc – Eu tive que responder um monte de inquérito policial e passar por exames médicos. Devo acrescentar que essa parte foi boa, a enfermeira que me atendeu era muito bonita.

– E o que eles disseram?

– A mesma coisa de sempre. Colocaram uma bomba no seu apartamento, senhor Mobo.

– Uma bomba?! – Ygor percebeu depois que tinha falado alto demais – Porcaria, colocaram a merda de uma bomba no seu apartamento?

– Sabe o que é pior? 

– O quê?

– Destruíram minha TV 4K curvada.

Ygor franziu a testa olhando diretamente para Luc que parecia distraído com uma pintura.

– Eu nem tinha terminado de pagar – lamentou o detetive – Malditos bastardos.

Ygor ficou algum tempo em silêncio achando que Luc ia começar a chorar, mas o detetive apenas prosseguiu seu tour pelo museu.

– Escuta, Luc – disse Ygor quando achou que era seguro falar alguma coisa – Você acredita que isso foi por causa da vara e dos roubos?

– Havia uma mensagem idiota na recepção. Alguém querendo me amedrontar. Mas ele não perde por esperar.

– O que você vai fazer, amigo?

Luc Mobo virou na direção de Ygor e chacoalhou o bolso do jaleco marrom surrado.

– Você tem café aí?

Naquela noite, uma sombra driblou os alarmes e as câmeras do museu Parker. Andou furtivamente pelos corredores até a porta com senha de numeral. Digitou a senha. A porta se abriu e a sombra daquele ladrão infame… infame é um adjetivo ridículo para uma história de mistério… aquele ladrão sujo entrou no cofre, pegou a maleta onde estava a vara de arão e saiu correndo para a saída.

Entretanto, assim que o ladrão sujo estava fora do museu, a luz de um veículo surgiu ofuscando seus olhos por baixo daquela máscara suja.

Dentro do veículo estava Luc Mobo. O ladrão sujo estava paralisado como se não esperasse por tal rendição. Luc gritou do carro:

– Essa é a hora que você corre.

O meliante sujo (Tá, eu vou parar de falar de sujo) correu, mas Luc Mobo acelerou e atropelou o facínora. O detetive saiu apressado do veículo e encontrou o ladrão desmaiado.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

*ESTA HISTÓRIA NÃO FAZ PARTE DA SAGA CAOS.

Talvez você não conheça, o senhor Mobo. Ou talvez já tenha ouvido falar dele. Quer sim, quer não, gostaria de relatar um de seus casos e mostrar-lhes a genialidade dentro de um ser bastante… estranho.

Luc Mobo – esse era seu nome completo – era um detetive da grande agência Columbus há algum tempo. Mesmo assim, costumavam dizer que ele tinha um espírito mais aventureiro do que investigador. Ele foi criado por Merry e Jessie Mobo na Inglaterra e depois passou a morar em Nova York, onde costumava lecionar aulas particulares.

Nossa história se passa no museu Parker, um lugar que costumava apresentar relíquias bíblicas, inclusive diziam que a verdadeira versão da bíblia de Martinho Lutero se encontrava no museu Parker em Nova York.

Luc estava retornando de uma viagem arqueológica as margens do monte Sinai. E o rapaz havia encontrado uma relíquia valiosa: a vara de Arão.

Retomando para um adendo bíblico, a vara de Arão tinha florescido durante a noite para provar que ele era o escolhido por Deus para ser sacerdote do povo hebreu. Outras onze varas também haviam sido colocadas, mas somente a de Arão floresceu. Depois disso, a pedido de Deus, Moisés colocou a vara dentro da Arca da Aliança junto com as placas de pedra onde estavam escritos os dez mandamentos. Infelizmente, depois de tantas destruições e guerras, a Arca havia se perdido assim como a vara de Arão.

Mas Luc Mobo estava entrando no museu Parker naquele momento com a vara de Arão dentro de uma mala grande. Eu poderia lhes contar como nosso herói encontrou esse artefato considerado sagrado, mas isso seria como contar uma piada do fim para o começo.

O administrador do museu Parker era um homem chamado Ygor, um velho amigo de colégio do detetive Mobo. Ygor veio ao encontro de Luc assim que o detetive cruzou as portas do museu.

– É tão bom revê-lo, velho amigo – disse Ygor.

– Amigo sim, velho não – falou Luc com um sorriso de idiota no rosto.

– Bom saber que seu humor continua o mesmo.

Ao lado de Ygor estava um homem trajando um paletó e sapatos bem lustrados.

– Este é meu vice, Luc – apresentou Ygor – O nome dele é Zack.

Luc Mobo ia cumprimentar o vice presidente do museu, mas acabou se atrapalhando com o peso da mala e caiu derrubando a maleta no chão. 

– Jesus! – gritou Zack correndo para pegar a mala.

Ygor sorriu e ajudou Luc a levantar.

– Peço desculpas pelo meu jeito – falou Luc.

– Você tem alguma noção do quanto isso vale? – questionou Zack segurando a mala com as duas mãos – Este é o artefato mais valioso dos últimos três mil anos.

– Não precisa exagerar, Zack – disse Ygor – Venha, Luc.

O detetive Mobo já havia visitado o museu Parker algumas vezes e mesmo assim, olhava para os quadros e artefatos como se fosse a primeira vez que estivesse ali.

– Adoro este – disse Luc apontando para um cálice marrom.

– O cálice de Belzasar.

– Algumas vezes já sonhei tomando um bom café neste cálice.

Ygor sorriu. Zack franziu a testa. Era a primeira vez que o via, mas já tinha ouvido falar de Luc.

– Infelizmente estamos tendo problemas aqui – disse Ygor.

– Problemas?

– Você deve ter visto no jornal. Tentaram furtar o museu duas vezes e conseguiram levar um papiro que continha escritos de Salomão.

Luc fitou Ygor, parecia estar prestando atenção.

– A polícia está investigando, mas não sei se irão conseguir encontrar. Tem noção de quanto valia aquele papiro?

– Espere… – disse Luc de repente – Está ouvindo?

Zack olhou para ele e depois para Ygor.

– Minha perna esquerda está estralando – falou o detetive movimento a perna – Acho que isto é efeito colateral da viagem. 

– Se me permitem, irei guardar o artefato – disse Zack.

– Espere, Zack. Eu levarei ao cofre onde mostrarei alguns esquemas ao senhor Mobo.

Luc assentiu com a cabeça embora continuasse movendo a perna.

– Talvez ele tenha alguma ideia para dar.

Zack assentiu fitando o detetive. Ele devia estar pensando que Luc era um idiota e tinha razão.

– Venha, Luc.

– Foi um prazer conhecê-lo, Zack. 

Luc e Ygor andaram por alguns corredores e depois acessaram uma porta com uma senha numeral. Dentro, havia um sistema complexo de câmeras e chaves para acessar a diretoria, armários de funcionários e o cofre.

– Gente boa esse Zack. Gostei do sujeito – confessou o detetive.

– Sério? Achei que gostaria dele. É um ótimo assistente.

– Quem tem acesso a isso? – perguntou Luc apontando para o sistema e as chaves.

– Apenas as pessoas da administração.

– Quantas pessoas?

– Cinco.

Os dois foram até o cofre, um local quadrado, grande e arejado, maior do um quarto de casal. Haviam caixas e prateleiras.

– Isso aqui é muito valioso para a gente – disse Ygor.

Luc observou o local com as mãos dentro do jaleco marrom surrado que ele costumava usar. Existiam muitas histórias sobre esse jaleco e como Luc o obtivera, mas prefiro acreditar que era presente de seus pais. Assim como o isqueiro com o adesivo do pernalonga – embora ele não fumasse. Luc levava esse objeto para todo lugar e quando estava pensando fervorosamente em seus casos, ele costumava passar esse isqueiro de uma mão para outra. Certa vez, ele perdera o isqueiro em casa e colocara todos os móveis para fora afim de encontrá-lo. Algumas pessoas que passavam achavam que era leilão ou coisa do tipo.

– Com essa vara, o museu Parker vai conquistar o mundo, meu amigo – Ygor colocou a maleta no canto e sorriu para Luc.

O isqueiro estava na mão direita do detetive. Luc estava pondo em prática seu plano.

Naquela noite, após comer um hambúrguer no Big Mike – coisa que Luc costumava fazer meticulosamente duas vezes por semana – o detetive voltou para seu apartamento.

Jerry – o recepcionista – acenou quando Luc passou por ele e entrou no elevador rumo ao quinto andar.

Luc Mobo andou rumo ao quarto 512, onde ele morava há quase oito anos. A chave adentrou na fechadura e no momento em que girou, Luc ouviu um “trac”. O detetive saltou para o lado e quase foi atingido pela explosão.

A porta foi consumida pelo fogo e a parede de frente ao quarto ficou manchada de preto depois que as chamas baixaram.

Caído no chão, Luc Mobo, suspirou fundo com os olhos arregalados.

– Merda.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

– A agência… – disse o Aranha.

Ash estava de pé e se aproximou da janela. O prédio da Columbus Agency tinha sumido. O garoto arregalou os olhos, incrédulo. Como um prédio tinha sumido assim de repente? 

Naquele momento, alguém bateu na porta. Ash se virou rapidamente, mais assustado do que nunca. Foi então que ele percebeu que o Aranha não estava mais no quarto.

– Aranha! Sou eu, o Luc – disse a voz do outro lado da porta.

Porém, o garoto Ash não sabia o que fazer. Olhou de volta para o local onde deveria estar o prédio da agência. Só havia uma nuvem negra, ainda pairando sob o local. Ash olhou para o banheiro do quarto, mas a porta estava aberta e não havia ninguém. Onde estava o Aranha? 

Imediatamente, o garoto se lembrou do sumiço de Hank. Ele tinha voado para fora e despedaçado o pequeno avião do capitão Frank. Mas ainda assim, ele sabia que todos ali tinham paraquedas. Entretanto, pairando no ar, Ash viu o rastro branco cortando o céu negro da noite. Alguma coisa – ou alguém – tinha voado na direção de Hank e momentos depois, os dois tinham sumido. Ash nunca vira alguma coisa tão rápida em sua vida.

– Aranha, você está aí?

Ash voltou a si e correu para abrir a porta. Luc Mobo entrou apressado com os cabelos bagunçados e o rosto cheio de aflição. As bochechas do detetive estavam vermelhas e as mãos tremulas.

– Onde está o Aranha? – ele perguntou olhando para o quarto; Ash percebeu que ele evitou olhar pela janela na direção do prédio da agência.

– Ele… ele estava aqui agora e…

Luc passou a mão na cabeça e andou no quarto de um lado ao outro.

– Essa não… essa não… essa não…

– Ei, detetive Mobo, o que houve? O que aconteceu?

Luc parou e olhou para o garoto. Seus olhos estavam inquietos, se movendo em sua própria órbita.

– Eu descobri uma coisa na agência e… – ele travou novamente.

– E o quê? – perguntou Ash.

Ele suspirou fracamente dentro de seu jaleco surrado.

– E… Eu fiz o prédio da agência sumir.

 

FIM, POR ENQUANTO.

A SAGA CONTINUA EM PETIT.

 

Luc Mobo havia sumido. O Aranha já desconfiava quando dois dias se passaram desde que ele e o detetive haviam se encontrado no Mc’Donalds. Agora, o Aranha tinha certeza.

Ele observara o movimento no apartamento onde Mobo morava. Pagara para uma pessoa perguntar ao recepcionista sobre Luc e a resposta era que o senhor Mobo não voltava para casa há dois dias.

Aquela altura, o capitão Frank deduzira que o Aranha e Ash haviam morrido na explosão. Era isso que o Aranha suspeitava.

Mas ao mesmo tempo, o detetive tinha lapsos de desconfiança do garoto. Ash costumava falar coisas sem sentido a noite. O garoto dizia não se lembrar de nada antes do redemoinho, mas ele tinha certeza que o Child estava a salvo, só não sabia aonde. Mais do que isso, Ash possuía algumas habilidades extraordinárias como vôo e super força. O garoto também vivia falando sobre a quebra da realidade e durante o sono repetia várias vezes a palavra portal.

O Aranha Negra estava em um impasse – não pela primeira vez. Uma previsão de morte sobre suas costas, um misterioso garoto com poderes e uma usurpação na Columbus Agency. Com Luc Mobo sumido, a situação só ficava cada vez mais difícil.

Ash parecia inconformado com o sumiço de Luc Mobo, seu argumento era que Luc não ia ser pego tão facilmente. O garoto insistia para que esperassem o retorno de Mobo.

– Ele não demoraria tanto para entrar em contato conosco – disse o Aranha naquela tarde.

O pequeno quarto onde estavam hospedados tinha duas camas, uma janela e um banheiro. Ash estava sentado em uma das camas comendo um X-Burguer.

 – Eu acredito nas habilidades do senhor Luc – disse o garoto com a boca cheia.

O Aranha observou o movimento da rua pela janela. A sede da Columbus Agency estava a quatro quarteirões dali e mesmo ele conseguia enxergar a ponta do prédio se erguendo imponente sobre todos.

– Tem alguma coisa que não está se encaixando – falou o Aranha – Algum ponto que não estou conseguindo enxergar.

– Como o que?

– Talvez…

Foi então que uma ideia surgiu.

– Até agora estou analisando tudo separadamente. Seu aparecimento, o sumiço de Hank, a profecia da minha morte e o complô na agência. Mas e se…

Ash parou de mastigar e fitou o detetive como se os dois estivessem pensando a mesma coisa.

Naquele momento, o som de um trovão estourou a janela do quarto e de todos os outros quarteirões. O Aranha saltou para o lado enquanto a terra estremecia lentamente derrubando o lanche de Ash.

– Que merda…?

Uma nuvem negra apareceu pairando sob o topo do prédio da Columbus Agency. Gritos ecoavam nas ruas e dentro dos prédios com pessoas assustadas correndo. Sons de carros batendo e cheiro de frenagem inundaram as ruas.

Outro trovão soou balançando as estruturas da cidade. Mais sons de carros batendo e pessoas gritando. O caos estava se alastrando.

– A agência… – falou o Aranha espantado.

Ash estava de pé e se aproximou da janela. O prédio da Columbus Agency tinha sumido.

 

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

Todos sabem que Overwatch é conhecido por seus criativos eventos que ocorrem de vez em quando. Inicialmente, tivemos o evento da copa que acompanhava a copa do mundo (7×1 te lembra alguma coisa?). O evento trazia consigo novas skins, novas falas, novos sprays e um novo modo de jogo.

Seguindo essa linha, a Blizzard continuou lançando novos eventos como Natal, Ano Novo Chinês e o mais recente de Aniversário de um ano do game.

Agora, como a empresa já havia anunciado, eles lançaram o tão esperado mapa lunar com algumas novidades. Eu resolvi conferir em primeira mão, bora conferir comigo?

O novo mapa é bem interessante, afinal o fato de estarmos na lua já conta como criativo. O modelo de jogo é o padrão de conquistar áreas e devo ressaltar que temos caminhos variados para chegar ao objetivo (isso deve ajudar os snipers e campers de plantão).

Uma das novidades que chamou mais a minha atenção foi o telescópio no início da partida. O seu personagem pode olhar por ele e visualizar o “mundo” de Overwatch, inclusive o Observatório Gibraltar (que é um mapa do jogo).

Um desafio muito divertido que a Blizzard também inseriu nessa atualização é o Baixa Gravidade. Aqui, nós jogamos os mapas comuns do game, mas com uma pequena diferença: gravidade baixa.

Explicando melhor, quando você salta com o personagem, ele fica pairando no ar durante alguns segundos. É proporcionar ao jogador a oportunidade de experimentar a gravidade na lua. 

Nem preciso dizer que isso torna a partida muito divertida e que os personagens com saltos altos (como Genji, Winston e Pharah) tem uma vantagem maior ainda.

Overwatch é um dos meus jogos preferidos e continua nessa lista após essa atualização. Creio que terei mais algumas horas de diversão.

POR NAÔR WILLIANS

– Ele é o cara perfeito – disse o Aranha olhando para Luc Mobo e depois fitando Ash.

Os três estavam em uma mesa do MC’Donalds que ficava a dois quarteirões da Columbus Agency Detectives. No caminho, o Aranha ligara para dois detetives que ele dizia serem de confiança. Infelizmente, somente um respondera ao chamado. Luc Mobo.

– Não duvido das habilidades do senhor Mobo – falou Ash.

Luc sorriu e assentiu com a cabeça. Ash e o Aranha assentiram também.

– Não estou acenando para vocês. Aquele é meu vizinho de quarto – disse o detetive.

– Luc, tem certeza que prestou atenção em tudo o que eu disse? – perguntou o Aranha.

O detetive Mobo mexeu em sua jaqueta de cor mostarda surrada e retirou um bloco de notas do bolso.

– Talvez queira que tome nota de todos os detalhes? – questionou Luc retirando uma caneta do outro bolso.

– Não, não, não – disse o Aranha encarando um homem que o fitava; as pessoas não ficavam a vontade com a máscara e algumas vezes ele já fora retirado de locais por causa disso.

– Ah, que bom – falou Luc – Porque minha caneta está sem tinta. Me esqueci.

Ash gargalhou quando ouviu isso e o Aranha empurrou o ombro dele de leve. O garoto abocanhou um big Mac como se estivesse em jejum há dias. 

– Ei, vá devagar, você pode se engasgar – advertiu o detetive Mobo.

O Aranha cruzou os braços recordando cada passo de seu plano. Ele odiava ter que esperar, mas não poderia simplesmente ir entrando pela porta da frente da agência. Se, de fato, o capitão estava envolvido em alguma conspiração, ele teria que ser discreto. E segundo o garoto Ash, a essa altura, o melhor seria que o capitão pensasse que o Aranha estava morto na explosão.

– Sei que está com pressa, Aranha – disse Luc – Mas se o que você está falando é verdade, vamos ter que esperar mais um pouco. Precisamos que ninguém desconfie.

O Aranha assentiu pensando no quanto era díficil ouvir Luc Mobo argumentando, embora fosse um dos melhores agentes do mundo. O jeito atrapalhado não combinava com o porte de um detetive sério. No entanto, a ficha de Luc falava por si mesma.

Além disso, o Aranha confiava em Luc. Nunca tivera experiências para confiar, mas a aurea de inocência que o rodeava confortava a desconfiança. Era apenas intuição e o Aranha sempre apostava em sua intuição.

– Já que estamos de acordo, vou voltar para casa – disse Luc se levantando – Eu estou com sono e daqui a pouco começa a sessão espião no canal 4. Vocês têm onde ficar esta noite?

– Sim, Luc. Não se preocupe conosco – falou o Aranha.

– Assim que eu estiver com o que me pediu, entro em contato. Enquanto isso não acontece, seria melhor não nos contactarmos – sugeriu o detetive Mobo.

O Aranha concordou. Luc recolheu um velho chapéu do banco.

– Vá devagar com os lanches, garoto.

O detetive Mobo foi embora. O Aranha suspirou longamente.

–  Agora é só uma questão de tempo – disse Ash abocanhando o último pedaço do Big Mac.

 

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

O fogo se alastrava enquanto o Aranha lembrava do sonho de Ian. Vários de você mortos. Queimados. 

– Eu quase não consegui chegar a tempo – suspirou o adolescente ao seu lado.

– Que merda…

– Ah, sem essa de agradecimento. Fiz o que precisava fazer.

– Quem é você?

– Acho que isso é uma longa história.

– Como… como você conseguiu me salvar? Eu sequer ouvi barulho de bomba – disse o detetive cruzando os braços.

O garoto abriu um sorriso de orgulho. Quase como se aquela frase do Aranha fosse um elogio.

– Eu tenho alguns… dons sobrenaturais.

– Você é um dos garotos do CHILD?

– Mais ou menos – o guri ergueu a sombracelha.

– Então o capitão Frank te enviou?

O garoto sorriu outra vez. Dessa vez, o Aranha reconheceu como um riso de deboche.

– Há mais sobre o capitão Frank dessa realidade do que acredita sua vã filosofia.

– De que merda você…

Nesse momento, sons de sirene soaram ao longe.

– É melhor vir comigo – disse o adolescente – Acho bom o capitão ficar com a impressão de que você morreu.

O Aranha segurou o garoto pelo braço.

– O que foi que você disse?

O adolescente não estava assustado, mas mantinha o sorriso de deboche.

– Aranha, foi o próprio Frank quem planejou sua morte.

O detetive apertou o braço do adolescente um pouco mais forte. O som da sirene estava cada vez mais próximo.

– Você só pode estar falando asneira.

– É só pensar, cabeça de teia. Quem te enviou para cá? Quem saberia um modo de inibir seu senso para detectar bombas? Quem está agindo de modo estranho? Quem desapareceu 1com seu amigo de trabalho, o detetive Hank?

O Aranha fitou o menino. Se o garoto pudesse olhar o rosto do detetive veria muita dúvida estampada naqueles olhos. 

– Vamos, tente falar com Hank.

O detetive soltou o braço do menino.

– É por isso que estou aqui, Aranha – explicou o garoto – Frank está armando alguma coisa. Ele está atrás dos detetives da agência e precisamos alertá-los. Preciso que me ajude a detê-lo.

O Aranha cruzou os braços novamente. Não podia acreditar repentinamente em tanta bobagem. Mas, mesmo assim, lá no fundo, algum senso de perigo apitava.

– Nós vamos investigar – disse o detetive.

– O quê?! – exclamou o adolescente de modo agressivo – Não temos tempo para investigações!

– Escuta aqui, garoto. Você acabou de acusar uma das pessoas mais confiáveis da face da terra de traição e acha que vou simplesmente aceitar isso como verdade?

O menino abaixou a cabeça.

– Eu não contava que vocês ainda fossem tão ingênuos – reclamou o garoto.

– Primeiro, qual é o nome?

– Pode me chamar de Ash.

– Ok, senhor Ash. Venha comigo.

 

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

O silêncio do balcão estava começando a incomodar o Aranha. Ele tinha tentado entrar em contato com o capitão Frank pelo número pessoal – usado somente pelos melhores agentes. Mas ninguém atendia. Isso só ajudava a levantar mais suspeitas sobre o que de fato estava acontecendo.

No caminho para o balcão, o Aranha conseguira ouvir notícias sobre o acidente no rio Potomac e alguns relatos estavam melhor esclarecidos para ele. Exceto o desaparecimento do CHILD e o sumiço repentino do capitão Frank. Era óbvio que o capitão sumia de vez em quando em missões sigilosas. Entretanto, esse tipo de sumiço era sustentado por fatos verossímeis. Por hora, o Aranha só tinha dúvidas.

Um ruído soou ao longe. Provavelmente um rato, pensou o detetive. Por que o capitão Frank o enviara aquele local? Qual era a razão?

Naquele momento, o Aranha voltou a se lembrar da visão de Ian. Vários de você mortos. O que isso significava? O próprio Ian não sabia o que queria dizer. Nem sempre ele sabia. E isso só ajudava a piorar a situação. Ian não sonhava muito com morte e muito menos com várias mortes. O Aranha se sentia mais tentado a desvendar o mistério. Ou talvez fosse tarde demais. Ele não costumava pensar em sua própria morte, embora já estivesse próximo dela inúmeras vezes. Mas, mesmo agora, ele não estava preparado. Preparado para morrer.

O detetive ouviu outro ruído ao longe.

– Maldição… – resmungou irritado.

E foi então que tudo aconteceu. Sem barulho de bip e invísivel ao tato apurado do detetive. O balcão explodiu. As colunas cederam. O teto se despedaçou em três partes de concreto. O fogo consumiu o que era consumível e a fumaça envolveu o local como um manto negro. 

Entretanto, o Aranha estava fora do local com um garoto agarrado ao braço dele. O detetive olhou para o fogo no bacão e estremeceu. Vários de você mortos.

– Eu quase não consegui chegar a tempo – disse o garoto sorrindo.

O Aranha fitou o adolescente.

 

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)