Castle Rock…

– O que podemos fazer agora? – questionou Martin olhando para o céu.

– Eu vou falar com os seres das águas – disse Zhélia – Podemos criar uma barreira de água sobre a atmosfera.

– Não podemos adiar o inevitável – disse o gato impossível.

– Alguém manda esse gato calar a boca – resmungou Martin.

– Deve ser por isso que eles não falam – brincou Hzw.

– Martin e eu podemos conversar com o chefe de polícia e iniciarmos algum tipo de contenção – sugeriu Injitus.

– Eu posso emitir um chamado geral por todo o mundo em todas as línguas desde que eu esteja conectado com a internet – disse o H6BD.

– Esperem… – disse Luan de repente – Tem algo diferente…

– Diferente como? – questionou Vik.

Luan, de repente, voou como um turbo para o céu.

Todos que ficaram para trás olharam assustados.

– Eu vou atrás dele – disse Hzw.

– Vamos para a delegacia e Zhélia vai para as águas – falou Martin.

– Vou até qualquer lugar com bastante energia para emitir o chamado – explicou H6BD.

E assim, o grupo se separou em três. Martin, Injitus e Prionailurus foram para a delegacia, Zhélia voltou para o povo da água enquanto Vik e H6BD foram para a rede elétrica de Castle Rock.

***

Xanadú…

– Aquilo não é um bom sinal – disse o Vingador Negro.

A redoma de Xanadú estava começando a trincar de um lado ao outro.

– Isso só pode ser loucura – resmungou John Caveira.

Os dois continuavam andando pela floresta seguindo rastros encontrados há mais de meia hora.

Enquanto estavam olhando para a redoma, uma espécie de vácuo de ar passou pela brecha trincada e pousou diretamente na frente dos dois. O vácuo de ar girou como redemoinho e os dois tiveram que se segurar em uma árvore para não serem empurrados para longe.

Então um adolescente saiu do vácuo.

– Essa foi uma viagem e tanto – ele resmungou balançando a cabeça.

O vácuo atrás do garoto subiu e desapareceu no céu de Xanadú.

– Pelos tições do inferno! – gritou o Vingador assustado.

John Caveira puxou um revolver do coldre e apontou para o adolescente.

– Se você não disser quem é, juro que enterro você aqui mesmo – ameaçou.

– Ei, vai com calma, valentão – disse o adolescente levantando as mãos – Me chamo Ash.

– Espere, John – falou o mascarado – Ele pode saber onde estamos.

– É claro que sei. Por sorte os elementares primordiais conseguiram me trazer para cá em segurança.

– Elementares primordiais? – questionou John confuso.

– Uma coisa de cada vez – interrompeu Vingador Negro – Onde fica aqui?

– Vocês estão na cidade mágica chamada Xanadú.

– Se você tivesse falado isso pra mim quatro horas eu teria atirado em você – resmungou o caçador de recompensas.

– Vocês devem ter vindo para cá por causa do evento, não é? – perguntou Ash.

– O motivo principal é o evento, a causa são dois homens chamados Will e Ming – explicou o mascarado.

– Talvez tudo não vá importar muito daqui a algumas horas – John apontou para o céu avermelhado e para a redoma trincada.

– Não se preocupem com isso – disse Ash – Os elementares primordiais me disseram o que deve ser feito.

– Acalme-se, John. É só um garoto que veio de um redemoinho, disse que estamos em uma cidade mágica e que sabe como parar o fim do mundo. Nada demais – murmurou o caçador de recompensas para si mesmo.

– Sigam na direção leste. Provavelmente em meia hora encontrarão a cidade, quando chegarem lá procurem por mim.

– Espera, aonde você pensa que vai? – interrompeu o Vingador Negro.

– Tenho instruções para uma pessoa.

Dizendo isto, Ash saiu voando na direção leste deixando o mascarado e o caçador de recompensas mais confusos do que nunca.

***

Castle Rock…

– Há quanto tempo ela está assim? – perguntou Injitus olhando para a oficial Dias no leito do hospital.

Enquanto se dirigiam para a delegacia, Martin contou a Injitus todos os acontecimentos que vieram após a queda de Castle Rock pelas mãos de Arbost.* Ao saber que Lisa tinha entrado em coma, Injitus insistiu em vê-la. Martin ligou para Luke e passou as instruções que ele deveria falar ao chefe Jailson.

– Faz duas semanas – disse Martin num tom baixo.

Olhar para Lisa naquele estado fez com que ele esquecesse todas as coisas que estavam acontecendo naquele momento. Se o mundo ia mesmo acabar, não era com isso que Martin estava preocupado quando olhava para a oficial Dias.

Todos os dias desde que ela entrara nesse estado, Martin ia visita-la. E costumava ler um capítulo de um livro idiota que Lisa adorava. Um psicologo dissera que isso podia ajudá-la. Mas não era por isso que Martin lia, ele achava que aquilo poderia redimi-lo de todas as vezes que deixara Lisa ir embora sem dizer nada.

– Quero tentar uma coisa – disse Injitus.

– O quê?

– Não sei vai dar certo, mas gostaria de tentar.

Martin olhou para seu amigo de infância que estava sumido há mais de quatro meses e agora simplesmente voltara.* O detetive pensara em todo este tempo o quão fraco era. Se não podia salvar seus amigos, como poderia querer salvar os outros? Como poderia salvar Castle Rock e o mundo da destruição total?

– Preciso que confie em mim – disse Injitus.

Martin acenou com a cabeça.

***

Lugar desconhecido…

O Aranha Negra acordou atordoado. Olhou ao redor. Ele estava dentro de um túnel psicodélico cheio de estrelas e sistemas galácticos. Haviam vozes de todos os tipos vindo de todos os lados. O Aranha tentou tampar os ouvidos, mas as vozes continuavam aparecendo em sua mente.

De repente, o túnel estava girando. As estrelas, os planetas e o próprio Aranha estava girando. As vozes continuavam gritando em línguas desconhecidas. O Aranha foi arremessado espaço a fora, sugado por uma força invisível.

***

Castle Rock…

Luan tinha sentido a energia. Mais do que isso, ele sentia um impulso e sabia o que fazer. Como adquirira esse conhecimento? Ele não sabia. Era como se sempre estivesse lá, pronto para ser acessado. O homem impossível voou até a atmosfera da terra e fez um portal aparecer no ar. Não houveram palavras, nem magia envolvida, Luan simplesmente quis que o portal aparecesse e ele sabia – de alguma forma desconhecida – que o portal ia aparecer.

Hzw apareceu logo atrás voando.

– O que está fazendo?

– Alguém está chegando – disse Luan, de repente.

Uma silhueta humana saiu do portal. Era um homem sentado em uma cadeira flutuante que se parecia com um trono.

– O homem impossível – disse o cara sentado na cadeira flutuante.

– Quem é você?

– Eu sou um dos elementares primordiais. Durante toda nossa existência, vimos os mundos vivendo sob uma equação. Essa equação é chamada de Caos. Porque, embora nós façamos esforços para mudar a equação, ela sempre volta ao mesmo lugar. Do Caos renasce a Harmônia.

– Está dizendo que não é a primeira vez que esse evento reconstrói a nossa realidade? – perguntou Hzw depois de processar toda a informação.

O elementar assentiu com a cabeça.

– E voltará a acontecer porque da Harmônia renasce o Caos. O universo sempre dará um jeito de acertar as contas. Mas ao mesmo tempo, o multiverso cria as chamadas inconsistências. Anomalias que saem do Caos a Harmônia e vice versa. Você e Castle Rock fazem parte dessas inconsistências.

– Por que tudo isso? – indagou Luan.

– Os elementais primordiais não procuram entender o porquê. As coisas são como devem ser. Nós somos apenas colecionadores de conhecimento. O mundo como você conhece está acabando e você vai transcender com ele, Luan. E Castle Rock também vai.

O homem sentado na cadeira se levantou. De repente, estava parado na frente de Luan. Aquilo foi tão rápido que Hzw se perdeu dentro de seus sistemas. Entretanto, o homem impossível continuava parado, sem espanto algum em seu rosto.

O elemental primordial ficou em pé diante de Luan sem dizer nada. Isso durou alguns segundos para Hzw e logo depois, o elemental sumiu, assim como o portal por onde ele viera.

Hzw ficou olhando espantado para Luan. Os dois estavam parados sob uma atmosfera avermelhada rodeando o planeta se expandindo para fora o universo. 

***

Lugar desconhecido…

O Aranha Negra voltou a tona. Estava caído no meio da rua. O céu estava avermelhado e raios ecoavam ao longe. O detetive levantou atordoado. As vozes tinham sumido.

Entretanto, a situação pareceu mais aterrorizante quando os olhos do Aranha se depararam com uma cidade vazia e destruída. Os prédios restantes estavam se desfazendo e o asfalto estava inchado e rachado. Parecia Chernobil, mas de um modo mais degradado. Como se três bombas atômicas tivessem caído no mesmo local. Rodas estavam caídas perto do que restara da calçada, talvez carros que desapareceram após a explosão.

O Aranha caminhou durante algum tempo até ouvir um som. O que acabou não sendo tão bom quanto ele gostaria. Eram sons de passos. Soaram a esquerda e depois mais sons a direita. Alguém estava correndo. E pior que isso, não era apenas uma pessoa – se de fato fosse uma pessoa.

O Aranha paralisou. Seus instintos pareciam prejudicados depois dos sonhos. Ele imaginou que devia estar em coma em algum lugar de Nova York. Aquilo só podia ser um maldito sonho.

Os passos voltaram.

– Não! – alguém gritou. 

O Aranha estremeceu. Era o som de sua própria voz, mas ele não abrira a boca.

Uma sombra pulou de um escombro e o Aranha recuou dois passos. Assim que levantou os olhos, suas pernas bambearam e seu corpo amorteceu. O Aranha engoliu a saliva e se questionou seriamente sobre sua sanidade. Havia outro Aranha Negra diante dele. 

– Que…

Não era alguém vestido com o traje. Era uma réplica dele mesmo. Os próprios trejeitos o estavam denunciando.

Outra sombra surgiu assustando os dois Aranhas. Era um terceiro Aranha Negra.

Passos estavam soando a esquerda. Passos a direita. Muitos sons de passos estavam soando na mesma direção.

Centanas de réplicas do Aranha Negra estavam se reunindo nos escombros destruídos do local desconhecido.

***

Castle Rock…

Uma luz amarelada refletiu de Injitus enquanto ele segurava a mão de Lisa. Martin se assustou.

– O que está acontecendo? – ele perguntou.

– Confie em mim.

A oficial Dias pulou da cama soltando um grito. Martin olhou assustado para ela. Injitus sorriu.

Lisa tocava todo seu corpo ainda perplexa. Lágrimas estavam surgindo em seu rosto.

– Meu Deus – ela conseguiu dizer.

Martin correu e a abraçou. Ela retribuiu.

O mundo estava acabando, mas o detetive não se importava.

 

A SAGA CONTINUA EM O EVENTO NO BLOG CONTOS BR

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

 

* Leia Castle Rock: O Terror das Profundezas para conhecer melhor.

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*Este capítulo se passa após os acontecimentos de Faroeste do Caos e Homem Impossível.

Castle Rock…

Os céus estavam vermelhos como uma mancha enorme de sangue escorrendo enquanto turbilhões se formavam aos poucos diretamente na atmosfera. Trovões poderosos soavam de toda parte e um cheiro de enxofre cada vez mais forte invadia o ar.

Xanadú…

Os moradores de Xanadú erguiam os olhos arregalados e estremeciam diante do que estava acontecendo. Um evento jamais relatado em toda a história de existência da cidade mágica. A redoma que os protegia do mundo exterior estava trincando enquanto um céu vermelho se expandia para todos os lados.

Dimensão T…

A terra estava tremendo. Os prédios estavam tremendo. As ruas estavam cedendo. Os carros estavam balançando. As pessoas não conseguiam permanecer de pé se não estivessem segurando em algum objeto forte. O céu vermelho continuava se expandindo enquanto os exércitos e agências de todas as nações do mundo procuravam entender o que estava acontecendo. Capitão Frank estava sendo procurado porque muitos acreditavam que o desaparecimento da Columbus Agency estava diretamente ligado ao que estava acontecendo naquele momento.

Fosse o que fosse, o presságio para todos os mundos não era dos melhores. 

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

 

 

John Caveira acordou atordoado. Pensara ter chegado mais perto da morte dessa vez. Ele se levantou e se assustou quando percebeu que não havia ferimento em sua barriga, embora lembrasse claramente de ter levado um tiro.

O local era algum tipo de floresta com plantas e árvores com cores diversas. O ar e a gravidade pareciam mais leves e suaves. 

– Que diabos de lugar é esse? 

No chão, ao seu lado, o Vingador Negro estava acordando. O mascarado se sentiu enjoado e um pouco tonto, quase como uma ressaca. Olhou para cima e viu o caçador de recompensas.

– Não me olhe com essa cara – disse John – Eu não fiz nada.

O Vingador lembrou de Otto jogando o artefato no chão. De alguma forma, aquele fato tinha tudo a ver com o acontecido. O mascarado olhou ao redor e também deduziu que eles não estavam em Austin.

– Onde estão Will e Ming? – ele perguntou.

– Eu não sei. A última coisa que me lembro é de tomar um tiro bem na barriga e como pode ver, parece que estou completamente curado.

– Otto! Aquele tição dos infernos nos colocou nessa enrascada – resmungou o Vingador.

– Acho que temos mais problemas para nos preocupar – disse John apontando para o céu.

Havia uma enorme redoma encobrindo todo o local e acima dela, todo o céu estava em vermelho.

***

Will e Ming acordaram pouco depois de John e o Vingador.

– O que aconteceu? – questionou Ming se apoiando em uma árvore para se recuperar da tontura.

– Onde está Dom Gabriel? – indagou Will percebendo que somente Susan estava perto deles.

– Acho que voltamos para Xanadú – disse Ming apontando para o céu.

Will olhou e concordou. Não havia como não reconhecer a redoma de Xanadú.

– Pelo jeito temos muito pouco tempo – Will via o céu vermelho se expandindo cada vez mais.

– Acho melhor dar uma olhada nisso – falou Ming.

Will se aproximou de uma árvore onde havia uma caveira de corpo humano. Ming retirou da mão da caveira um objeto muito parecido com um colar.

– Parece que essa foi a última viagem do doutor Hellstrom – disse Ming.

– Melhor levarmos esse artefato para Myran, ele vai saber o que fazer – falou Will.

Neste momento, um barulho de passos surgiu perto deles e logo depois, um homem vestindo um jaleco desbotado apareceu.

– Graças a Deus, encontrei alguém aqui – resmungou ele com o cabelo todo arrepiado.

– Quem é você? – perguntou Will.

– Meu nome é Luc Mobo, sou detetive da Columbus Agency e vim parar aqui por acidente. Que lugar é esse?

– Conheço essa agência – disse Ming.

– Será que nós causamos isso, Ming?

– Pode ser, Will. Não sabemos os efeitos colaterais do artefato.

– Do que estão falando? – questionou Luc.

– Senhor Mobo, temos um problema sério acontecendo e talvez sua ajuda venha a calhar. Venha conosco.

Os três levaram Susan que continuava desmaiada e partiram para encontrar Myran.

Um trinco imperceptível apareceu na redoma de Xanadú.

 

A PARTE FINAL DA SAGA COMEÇA EM DIMENSÃO DO CAOS.

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

John Caveira estava de frente para Susan. Fingir um desmaio era quase uma especialidade e isso foi o suficiente para enganar o herói mascarado. E por sorte, ainda tivera informações sobre o local onde estavam os ladrões de recompensas.

Embora sua mão ainda estivesse ferida por causa da chicotada do Vingador Negro, ele tinha certeza que venceria o embate contra a mulher.

– Eu não pensei que Tim Mc’Lane fosse tão importante para você – ela disse.

– Na verdade, a recompensa pela cabeça dele era.

– Se for só a cabeça, podemos dar um jeito – ela riu.

– Vamos ver se você vai rir debaixo de sete palmos de terra.

No momento em que John Caveira ia tirar seu revolver do coldre, algo o atingiu pelas costas. Seu corpo ficou mole imediatamente. Susan disparou e ele caiu no chão com um buraco na barriga.

– Me impressiona o modo como você faz pequenos apetrechos serem eficientes – ela disse para o doutor Otto.

Hellstrom parecia feliz e guardou sua pistola de tranquilizantes.

– Temos o que precisamos. Vamos voltar ao laboratório. Termine com esse cara agora, não quero ter problemas posteriores – disse o doutor tossindo em seguida.

Susan se aproximou do inconsciente caçador de recompensas. Apontou o revolver. Mas imediatamente um chicote o tirou de suas mãos. Ela recuou assustada.

O Vingador Negro apareceu ao lado Will e Ming.

– Você não vai a lugar nenhum, Otto – falou Will autoritário.

– Diabos! De onde estão surgindo tantos intrusos? – Otto arregalou os olhos e tossiu outra vez.

Ming se aproximou do corpo de John.

– Precisamos dar um jeito nesse cara. O ferimento vai matá-lo.

Will estava perto de Otto pronto para prendê-lo com uma corda enquanto o Vingador Negro amarrava as mãos de Susan.

– Coloque as mãos onde eu possa ver – disse Will.

– Mas é claro.

Neste momento, o doutor levantou as mãos com um objeto nas mãos.

– É o artefato, Will! – gritou Ming.

Mas era tarde demais, Otto jogou o artefato no chão como se fosse uma granada e todos voaram por um turbilhão de vento rumo a um buraco negro.

 

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

O Vingador puxou o chicote ao mesmo tempo em que John Caveira puxou o revolver. Um tiro ressou. O revolver voou. O chicote caiu no chão. Duas mãos feridas.

John foi pra cima do mascarado, mas o Vingador revidou com um bom soco de direita. O caçador de recompensas tonteou, no entanto conseguiu desferir um soco no estomago do mascarado.

Porém, naquele momento, passos soaram apressados. John virou para trás e viu dois homens. Eram Will e Ming.

– Eu disse que Satanás ia meter a patinha dele. Eu sempre estou certo, Ming – resmungou Will.

Nesse meio tempo, o Vingador se recuperou do golpe de John. Puxou a espada da bainha e acertou a nuca do caçador de recompensas com o cabo. John caiu no chão, desmaiado.

– Eu tinha tudo sob controle – disse o mascarado.

– Parece que nem tudo. Veja a bagunça que o doutor Otto está fazendo – resmungou Will.

Ming se aproximou e analisou os documentos.

– O doutor está fazendo muitos experimentos estranhos. Cabeças, orgãos humanos e esses apetrechos esquisitos, precisamos parar esse cara imediatamente.

– Não são apetrechos, chamamos de tecnologia – explicou Ming.

– Vejam isso aqui – disse Will.

Na pilha de papéis acima da escrivaninha, haviam desenhos explicando a trama do doutor Otto.

– Alguém me belisque. Ele quer trocar de corpo? – reclamou Ming, alarmado.

– Isso mesmo. Veja aqui – falou Will mostrando outro papel – Parece que a viagem temporal que o doutor fez teve efeitos colaterais.

Os papéis diziam que o doutor estava envelhecendo cinco vezes mais rápido do que qualquer outro humano.

– E se a gente também estiver envelhecendo mais rápido, Will – resmungou Ming – Eu nem casei ainda!

– Agora estou entendendo tudo – disse o Vingador Negro – Mas seria possível?

– Cara, há dois dias eu diria que não. Mas agora… – Will olhou para os outros.

– Vejam mais isso – chamou Ming mostrando outro papel.

Dessa vez, o plano era construir um portal de volta para Xanadú. Mas segundo as informações, o doutor Otto precisava de um artefato específico perdido exatamente nas minas de Austin. Segundo as anotações do doutor, o artefato era extraterrestre, tendo caído na terra antes mesmo da existência dos humanos. E o doutor havia descoberto mais dois, além desse em Asutin. 

– Foi por isso que ele veio para cá. Talvez esse artefato esteja ligado diretamente ao que Myran nos disse, Ming – falou Will.

– Melhor que isso – disse o Vingador – Temos a localização exata de onde está o objeto. As minas ao sul de Austin.

– Otto deve estar lá. Procurando pelo artefato.

– Nós vamos pegar esse filho da mãe – regozijou Will.

– Só precisamos dar um jeito no nosso amigo caçador de recompensas – lembrou o Vingador.

Entretanto, quando olharam, perceberam que John Caveira havia sumido.

– Filho de um tição! Ele vai atrás do doutor Otto – resmungou o mascarado.

 

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

Era noite. A cidade de Austin soava silenciosa, exceto por um saloon para os farofeiros. Esgueirando pelas sombras, uma silhueta humana adentrou pelo andar superior do saloon de Otto Hellstrom.

Com agilidade, o humano desceu até o bar (totalmente destruído após o embate de John Caveira e os capangas) usando um chicote de couro.

Um breve facho de luz da lua entrava pela janela quebrada, mas o humano parecia acostumado com a escuridão. Seus olhos procuravam minuciosamente por algum detalhe desapercebido. Qualquer olhar teria passado sem ver nada, mas os olhos astutos do Vingador Negro encontraram a entrada para o laboratório de Otto.

Tudo porque uma garrafa de Jack Daniels estava intacta depois do tiroteio da manhã. O Vingador soube imediatamente que era uma entrada secreta. Ele puxou a garrafa e uma porta apareceu atrás do bar.

O laboratório parecia intacto. Cheio de frascos com líquidos e orgãos humanos.

– Maldito seja, Otto. Como isso passou desapercebido por mim? – questionou a si mesmo.

Havia livros em uma prateleira no fundo e vários papéis espalhados em uma escrivaninha. O Vingador se aproximou dos papéis, mas então ouviu o som de passos lentos no piso acima.

Ele usou a escuridão para se esconder. Pouco depois, um homem entrou no laboratório. Também parecia impressionado com a audácia de Otto.

– Eu sei que você está aí – ele disse de repente – Saia das sombras.

O Vingador Negro ficou frente a frente com o homem. E então a ficha dele caiu.

– Você deve ser o tal do John Caveira – disse o herói mascarado.

O caçador de recompensas abriu um sorriso.

– Você deve ser o tal Vingador que sai por aí brincando de herói – retrucou John.

– O que você faz aqui? – questionou o Vingador.

– Essa é uma longa história que estou com preguiça de contar.

– Você é aliado de Otto Hellstrom?

O caçador de recompensas soltou uma gargalhada irônica.

– Eu jamais me uniria a ladrões de recompensas – resmungou.

A atenção de John  foi tomada para uma cabeça dentro de um pote na prateleira.

– Maldição… – ele reclamou reconhecendo que era a cabeça de Tim Mc’Lane – Alguém está querendo ser enterrado debaixo de sete palmos de terra depressa.

– Então você também está atrás de Otto Hellstrom – deduziu o Vingador.

– Se ele for o responsável e aliado daquela facínora chamda Susan.

– E por que eu deveria acreditar em você? A fama de caçadores de recompensas não é boa aqui em Austin.

– Pro diabo a reputação. Eu não devo explicações a você.

– Talvez deva ao xerife quando eu te entregar a ele – ameaçou o herói mascarado com a mão no chicote.

– Se você quiser ouvir a música de sua morte mais cedo, pode tentar – resmungou John levando a mão ao coldre.

 

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

O que aconteceu naquela manhã enquanto D. Gabriel mandava chamar Lupito.

John Caveira tinha feito uma análise do local e de quantos capangas haviam ali. Ele perguntara sobre a mulher e alguns homens bêbados (e doidos para mais uma dose) disseram que ela era uma caçadora de recompensas. O nome dela era Susan e trabalhava para Otto Hellstrom, o dono do saloon.

Um pouco depois, John descobriu que aqueles capangas eram os mesmos que o atacaram quando ele estava prestes a capturar Tim Mc’Lane.

Então, na manhã seguinte, John entrou no saloon praticamente vazio (exceto pelos capangas). Perguntou por Susan e alguém foi chamá-la. Ele refez a contagem de capangas. Eram oito.

Entretanto, houve algo que John não contava. Quando Susan cruzou a porta grande no fundo do saloon, ela o reconheceu é tão rápida quanto seu olhar, ela disparou.

O tiroteio começou e John acabou cercado pelos oito capangas enquanto Susan escapava. A grande verdade era que o doutor Otto não estava no saloon.

Uma chuva de balas caía sobre a cabeça de John Caveira enquanto ele retribuía com mais música.

– Querem ouvir o som dessa aqui?! – ele gritou acertando dois capangas com apenas um tiro.

Um distraído resolveu recarregar e nem viu o tiro que o matou.

Sobraram cinco. Dois fugiram e os outros três se renderam.

– Para onde ela foi? – perguntou John se aproximando.

– Eu não sei – disse o primeiro levantando as mãos.

John atirou.

– Eu não tenho tempo.

O segundo tentou correr e caiu por cima da mesa quando o disparo o atingiu.

John se aproximou do último.

– Estou ficando sem tempo.

Pouco depois, John já estava a galope atrás de Susan. Ele passou pelo distraído xerife que encontrou um saloon cheio de corpos e nenhum capanga vivo.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

Na manhã seguinte, Dom Gabriel pediu para chamarem Lupito. Ele perguntou ao garoto se já tinha ouvido falarem de Otto Hellstrom na cidade. Lupito então revelou que esse era o nome do proprietário de um saloon na cidade. E para a alegria de Will e Ming, um proprietário que chegará recentemente.

Imediatamente, Dom Gabriel mandou aprontar a carroça para levá-los ao centro da cidade onde ficava o saloon.

– Quanto tempo para chegarmos até lá? – perguntou Will.

– Cerca de vinte minutos – respondeu D. Gabriel.

– Diabos! Nos filmes de faroeste tudo parece tão fácil – resmungou Will.

Quinze minutos depois, eles estavam chegando na cidade e de cara, já enxergaram o tão falado saloon. Entretanto, havia um pandemônio incomum na entrada. Várias pessoas reunidas e o xerife explicando algo.

– Sinto cheiro de confusão – disse Ming.

– Será que Otto sabia de nossa chegada? – questionou D. Gabriel.

– Impossível – respondeu Will descendo da carroça – Espero que você seja influente o suficiente para conseguir as respostas.

– Se eu não for, há quem seja – disse D. Gabriel sorrindo.

Eles desceram da carroça. E alguns minutos (que pareceram séculos para Will) depois, D. Gabriel conseguiu se aproximar do xerife.

– Bom dia, xerife – cumprimentou.

– Bom dia, D. Gabriel.

– Esses são meus dois amigos, D. Will e D. Ming.

O xerife os cumprimentou.

– Desculpe minha intromissão, mas o que houve por aqui? – perguntou Gabriel.

– Uma confusão dos diabos! Logo pela manhã ouvi o som de tiroteio e pessoas gritando. Quando cheguei aqui, havia uma dúzia de corpos e o proprietário do saloon tinha sumido. Disseram que ele fugiu de um homem que atirava como o diabo.

– O senhor descobriu algo a mais?

– Enviei homens para seguirem os rastros de Otto, o proprietário. Ele sempre foi um homem muito reservado e era visto poucas vezes pelas ruas. Resta aguardar que meus homens o tragam de volta.

– Permita-me uma última pergunta, xerife. O senhor sabe quem era o homem que matou os capangas no saloon?

– As testemunhas disseram que era John Caveira, o caçador de recompensas.

Depois disto, o xerife se despediu.

– John Caveira? – questionou Ming – É sério que existe alguém com esse nome?

– Caçadores de recompensas sempre são um problema – disse Gabriel – Vamos voltar para a fazenda. Mais tarde eu farei uma visita ao saloon de Otto.

– Mais tarde? Não temos tanto tempo – disse Will – E se perdermos o rastro do doutor?

– Segundo o que me contou sobre Otto, tenho certeza de que existe algo importante no saloon e ele vai voltar para buscar.

– E quanto ao caçador de recompensas?

– Vamos torcer para que ele não alcance Otto antes que eu tenha pistas suficientes para encontrá-lo.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

 

 

Enquanto Will e Ming explicavam toda a história sobre Xanadú e o doutor Otto Hellstrom, algo estava acontecendo em um esconderijo dentro de um saloon em Austin.

Uma mulher vestida com roupa de caubói conversava com um homem com cerca de cinquenta anos, calvo.

O local era um laboratório improvisado. A cabeça de Tim Mc’Lane* estava sendo usado em um estranho experimento pelo homem.

– Pelos diabos, por que precisava da cabeça do homem, dom Otto?

– Minha querida Susan, existem muitas coisas entre o céu e a terra do que acredita nossa vã filosofia.

Susan não entendia muito bem do que o doutor estava falando. Há seis meses, ela o conhecera no saloon enquanto procurava um serviço. Susan era um caçadora de recompensas e o doutor oferecera uma recompensa grande caso ela quisesse se juntar a ele numa jornada. À princípio, a ideia era boa, mas quando Susan vira o doutor arrancar a cabeça do inconsciente Tim Mc’Lane percebeu que a jornada ia muito além de uma jornada comum.

Ao lado da cabeça de Tim Mc’Lane haviam duas outras cabeças humanas. Dois outros bandidos insignificantes que ninguém sentiria falta, pensou Susan. E mesmo que fossem cabeças de homens, para ela não importava. Susan queria saber para onde a jornada do dom Otto Hellstrom a levaria.

Ela mal sabia que naquele exato momento, no saloon acima do laboratório, um homem acabara de chegar. Um homem que Susan deixara inconsciente quando pegara Tim Mc’Lane. Um caçador de recompensas que não perderia sua presa por nada. 

John Caveira** chegou no balcão e pediu uma dose de cerveja. Ele sentia sua intuição lhe dizer que estava muito perto – perto demais – de encontrar quem roubara seu prêmio pela cabeça de Tim Mc’Lane.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

*CONHEÇA MAIS SOBRE TIM MC’LANE: AQUI

**CONHEÇA MAIS SOBRE JOHN CAVEIRA: AQUI

***CONHEÇA MAIS SOBRE A SAGA CAOS (EVENTO DIMENSIONAL): AQUI

*ESSA HISTÓRIA SE PASSA APÓS OS ACONTECIMENTOS DE LUC MOBO E 12 DP

– Como é que é essa história? – perguntou D. Gabriel erguendo uma das sobrancelhas.

A sala de estar era aconchegante e lenha queimava na lareira. As paredes estavam ocupadas por quadros de grande fazendeiros de Austin, todos da família de Dom Gabriel.

– Precisamos encontrar o cientista conhecido como Otto Hellstrom – disse Ming levando uma xícara de café aos lábios.

– Perdoem-me, dom Ming e dom William. Eu posso conceder um lugar para passarem a noite, mas não posso ajudá-los em relação a este assunto. Principalmente porque não conheço nenhum Otto.

Ming olhou para Will quase rindo quando ouviu D. Gabriel chamando-os de Dons.

– Nos disseram que o senhor é uma pessoa bondosa e que poderia nos ajudar – disse Will.

– As pessoas costumavam falar pelos cotovelos aqui em Austin – refutou D. Gabriel – Se esse tal de Otto lhes deve alguma coisa, a melhor opção é procurar o xerife.

– Nós não temos tempo – falou Ming – É uma questão de extrema urgência. Por favor, precisamos de sua ajuda.

– Senhores, sugiro que passem a noite aqui e de manhã, mando chamar o xerife para resolver seu problema.

Will deu um chute na mesinha que separava as poltronas. D. Gabriel desviou rapidamente. 

– O que pensa que está fazendo, Will? – indagou Ming se levantando.

Will se aproximou de D. Gabriel.

– Escuta aqui, seu amofadinha de uma figa, cansei dessa formalismo e agora vai ser do meu jeito.

– Talvez seja melhor se acalmar, senhor – disse D. Gabriel com a voz firme.

– Eu não vou me acalmar! A minha única chance de voltar para casa e evitar o fim do mundo é encontrar esse tal de Otto – o dedo indicador de Will tocava repetidamente no ombro de D. Gabriel – Eu vou encontrá-lo e você vai nos ajudar.

D. Gabriel soltou um riso de sarcasmo.

– Não, eu não vou ajudar – ele disse – Vocês dois apareceram aqui pedindo minha ajuda e agora querem me obrigar a participar dessa loucura.

Will se virou para Ming:

– Eu vou arrebentar a cara dele.

– Você pode tentar – provocou D. Gabriel.

Ming afastou os dois lentamente. Depois se virou para Gabriel:

– Sabemos que você é o Vingador Negro.

De início, D. Gabriel pareceu surpreso, mas depois abriu um sorriso.

– Agora vocês estão passando dos limites mesmo – ele disse.

– Somos policiais, cara – explicou Ming – Você pode enganar a todo mundo por trás desse jeito de dom, mas nós sabemos a verdade.

O sorriso sumiu do rosto de D. Gabriel.

– Foi por isso que viemos direto até você. Precisamos do Vingador Negro para encontrar esse tal de Otto. O mundo está correndo um sério perigo – explicou Ming.

Houve um minuto de silêncio por parte de Gabriel. Ele tentou manter a postura, mas estava óbvio em seu rosto que os dois policiais tinham tocado em seu ponto fraco.

– Quem mandou vocês? – ele perguntou.

– Essa é uma longa história – murmurou Will.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

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