A vã avançava pelas ruas. Luc e Ash estavam dentro ao lado de quatro agentes do FBI, inclusive David. Os dedos de Luc tocaram o objeto no bolso de sua jaqueta. Por enquanto, o FBI parecia a melhor opção.

Mas Luc não pensava em entregar o objeto para eles e nem para ninguém. A prioridade era descobrir de onde viera aquela “coisa” e dar um jeito de destruí-la. Um objeto como esses não podia continuar a solta por aí. Mesmo dentro de um cofre, no fundo do oceano, ele era perigoso demais. Fosse o que fosse, para Luc, a única opção era destruí-lo.

– Ainda bem que veio conosco – disse o agente David.

Neste momento, o agente retirou uma máscara revelando sua verdadeira identidade. Era Petit, o homem das mil faces. 

Luc arregalou os olhos.

– Surpreso em me ver? – perguntou Petit.

– Você… você… me enganou direitinho.

– Só um assunto tão sério para tirar sua percepção, Luc.

Ash também estava surpreso.

– Como você conseguiu enganar minha habilidade? – questionou o menino.

– Luc tinha me contado sobre isso – explicou Petit – Então mantive toda minha mente como a do agente David.

– Você está com o FBI? – disse Luc.

– Sim, tenho alguns contatos seguros lá. Mas por hora, ainda não é o local mais seguro, a Octópus está em todo lugar.

Luc e Ash concordaram. Luc explicou melhor sobre o acontecimento com o olho e a agência. Petit desconfiava que o capitão Frank havia sido capturado, mas não sabia quem era o farsante que estava se passando por ele.

– Eu tenho uma ideia – revelou Petit – Luc vai me ajudar a capturar o farsante e trazê-lo para o FBI.

– Precisamos ser cautelosos – disse Luc – Eles ainda estão com o capitão Frank.

– Sim, eu acho que…

Naquele momento, a vã do FBI foi atingida por outra vã e capotou pela rua atingindo dois carros.

Dois homens saíram da vã que havia causado o acidente. Entretanto, quando se aproximaram da vã do FBI, todos os passageiros tinham sumido.

Inconformados, olharam para os lados procurando enquanto pesssoas ligavam para o resgate e duas mulheres saíam dos carros batidos.

– Impossível – resmungou um dos homens – Eles sumiram.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

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A polícia estava batendo na porta. Eram oito horas da manhã. Luc e Ash acordaram sobressaltados.

– Senhor Mobo, sabemos que está ai. Eu sou o agente David do FBI. Precisamos conversar.

Luc olhou para o menino e mesmo sem o detetive falar, Ash entendeu o recado. Foi uma questão de segundos.

– Eles são do FBI mesmo – confirmou o garoto após ter lido a mente.

– Quantos são? – perguntou Luc.

– Uns cinco policiais.

Luc se levantou e abriu a porta. Um homem moreno e corpulento apresentou seu distintivo.

– Em que posso ajudar? – perguntou Mobo.

– O assunto que temos para tratar é de cunho nacional. Não podemos permanecer aqui – disse o agente David – Fui incubido de levá-lo a sede do FBI.

– Ok, tudo bem. Eu posso ao menos tomar um café antes? – disse Luc.

Enquanto os agentes do FBI desfrutavam de um bom café ao lado de Luc e Ash, dois homens dentro de uma vã de sorvetes faziam uma ligação.

– O FBI está aqui – disse um deles.

– Maldição – disse a voz do outro lado da linha.

O motorista da vã observou um casal passando para a esquina.

– Devemos continuar aqui? – perguntou o homem sentado no banco carona.

– Não podemos deixar o objeto escapar. Devemos manter Luc separado dos outros, se Petit descobrir qualquer coisa sobre isso, nosso plano estará comprometido.

– Então, quais são as ordens?

Houve um momento de silêncio do outro lado da linha. O motorista continuava olhando para o casal na esquina.

– Façam parecer um acidente – disse a voz.

A ligação terminou. O motorista fitou o homem sentado no carona. Os dois olharam para o prédio onde Luc estava hospedado. A Octópus estava entrando em operação.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

– O que vamos fazer agora? – questionou Ash fitando Luc.

Os dois estavam num quarto alugado no subúrbio da cidade. Um local – que para Luc – seria adequado por enquanto.

– Eu não sei – disse o detetive com os braços envolvendo a cabeça; ele estava nessa posição há mais de meia hora – Preciso pensar um pouco.

– Não temos tempo, Luc.

– Cacete! Você acabou de voar! Você me trouxe segurando apenas meu braço! Além disso, você lê a mente das pessoas e sabe se lá Deus o que mais você pode fazer. E pelas barbas de Napoleão, eu tenho um artefato que pode destruir o mundo no meu bolso! Então… Só por um instante eu preciso de tranquilidade para pensar!

Ash recuou com os olhos arregalados. Até então ele nunca vira Luc Mobo tão abalado – e nem falar tanto.

– Foi mal. Eu só queria ajudar – disse o menino se deitando em sua cama.

Luc coçou o pescoço voltando a seus pensamentos e tentando ligar pontos. Petit fora capturado. Hank fora raptado por um rastro no céu. Aranha Negro e a agência tinham sumido. O capitão Frank não era confiável a essa altura, já que ele escondera de todos esses objetos tão perigosos. Luc estava em um mato sem cachorro, mas desconfiava que a Octópus poderia ser a chave para a resolução de tudo.

Por hora, ele precisava esperar. Se a Octópus era mesmo a causadora de tudo, cedo ou tarde alguém apareceria. Era uma questão de atenção.
– Petit não foi capturado – disse Ash de repente.

Luc retirou as mãos da cabeça e olhou para ele imediatamente.

– O quê?

– Eu pude ler a mente de um deles. De alguma forma a informação vazou e eles se adiantaram para nos capturar. Da mesma forma atrasaram Petit com distração.

Luc não sabia se acreditava mesmo no garoto. Ele sabia voar, mas será mesmo que tinha a habilidade de ler a mente das pessoas?

– Eu tenho essa habilidade – falou o garoto – Pode acreditar em mim.

As mãos de Mobo tremeram um pouco.

– Eu só quero ajudar – Ash se levantou da cama.

– Tudo bem – suspirou Luc.

O garoto fez um gesto de vitória e sentou ao lado do detetive.

– O que vamos fazer agora? – ele perguntou.

– Primeiro, notificar a Petit sobre o vazamento de informação.

– Isso não seria idiota?

– Nós, os detetives da Columbus Agency, inventamos uma linguagem para emergências. E o melhor de tudo, só nós conhecemos – explicou Mobo – Vou enviar uma mensagem para Petit avisando do vazamento. Talvez isso o ajude com a encontrar o delator e também nos leve a uma pista melhor sobre os desaparecimentos.

Ash concordou com a ideia. Luc enviou a mensagem para Petit e aguardou o retorno.

– A Octópus sabe do artefato – continuou o detetive – Tenho quase certeza que a reposta para os desaparecimentos está com eles.

– Espero que você esteja certo, Luc.

Os dois se entreolharam.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

*OS EVENTOS DESSE CAPÍTULO SE PASSAM APÓS ARANHA NEGRA E PETIT.

– Para quem você ligou? – perguntou Ash.

– Para um amigo – disse Luc Mobo.

Os dois estavam no metrô rumo ao local combinado. Luc achava melhor utilizar o transporte público, pois era quase impossível alguém desconfiar.

Seus dedos tocaram o objeto em seu bolso. Aquilo tinha feito a agência desaparecer? Luc não duvidava que sim. A pergunta final era como ele tinha feito isso e por que a agência de detetives estava escondendo artefatos tão perigosos. A polícia e os bombeiros estavam por toda parte e o metrô só estava com velocidade reduzida.

– Afetou a cidade inteira – disse Ash.

Luc Mobo estremeceu. Mais um pouco e ele teria destruído a cidade.

– As pessoas que estavam no prédio da agência também desapareceram – o garoto falou com uma certeza que assustou o detetive.

– Como você sabe? – indagou Luc.

– Posso ler a mente de alguns deles.

– O quê?

– De algum modo quando as pessoas estão muito assustados desbloqueiam uma barreira que me permite acessar seus pensamentos.

– Que tipo de diabo é você? – disse Luc num tom um pouco mais alto do que o normal.

Ash não respondeu. Pouco depois, os dois desceram e andaram na direção do cais. Meia hora atrás, Luc havia feito uma ligação para Petit e combinara de se encontrar com ele ali.

– Esse é o local? – perguntou o garoto.

Não havia ninguém.

– Isso não está cheirando bem – disse Luc.

O sol estava se pondo no horizonte. Boa parte do cais já estava entrando em completa escuridão.

– Petit não é de se atrasar – murmurou Mobo, preocupado.

– Acho que temos companhia – falou Ash de repente.

Um grupo de seis homens vestidos de negro apareceram com metralhadoras nas mãos. Luc reconhecia aquele traje.

– Octópus? – questionou o detetive confuso.

– Sabemos que está com o objeto, senhor Mobo – disse um dos homens – Nos entregue imediatamente e poderá ir embora.

Luc recuou e olhou para Ash. O garoto estava de olho nas metralhadoras.

– O menino também virá conosco – disse o homem de preto.

Aquela altura não fazia sentido perguntar onde estava Petit. Estava óbvio para Luc que seu amigo tinha sido capturado. Octópus era uma organização criminosa que Petit vinha combatendo há algum tempo.

– É melhor se segurar, Luc – disse Ash.

O menino agarrou o braço do detetive, deu um salto e voou.

Os homens de preto olharam espantados para a situação.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

*OS EVENTOS DESTE CAPÍTULO SE PASSAM ENTRE ARANHA NEGRA E PETIT.

Luc Mobo estava dentro da agência. E não fora tão difícil entrar. Ele simplesmente dissera ao guarda que esquecera seu relatório na sala de reuniões.

Pouco depois, ele estava se esgueirando por corredores e portas na agência. As portas com senha numeral não eram dificuldade já que todos conheciam o senhor Mobo ali. Luc dizia que esquecera seu cartão e a pessoa digitava rapidamente a senha.

O prédio da agência de detetives continha doze andares, mas havia algo que Luc desconfiava e estava disposto a testar hoje. Era uma coisa arriscada. Depois de ter vasculhado todos os cantos dos doze andares comuns.

Luc puxou seu celular e discou um número. Quem atendeu foi Beverly, a secretária do capitão Frank.

– Bev, aqui é o Luc. O capitão pediu para você me passar o acesso ao andar de carga agora. É urgente.

Tudo era uma questão de probabilidades. Luc tinha quase certeza de que se houvesse um andar desconhecido na agência, a única que saberia alguma coisa sobre o tal seria Bev. O capitão confiava muito nela e Luc sabia que Bev guardava muitos segredos sobre o capitão.

Houve silêncio do outro lado da linha. Luc podia ouvir o som da respiração da moça aumentando.

– Vamos, Bev. Eu não tenho tempo.

– Tudo bem. Calma – ela disse com a respiração mais ofegante do que antes.

Luc suspirou lentamente por dentro. Um sorriso se abriu no seu rosto ao mesmo em que milhões de perguntas surgiram na sua mente. Por que a agência de detetives tinha um andar secreto? Quem tinha acessoa a ele? E o que havia dentro desse andar?

– É o olho, não é? – disse Bev de repente; o tom de voz dela era amargurado – Ele falou que estava preocupada com aquele olho. Vai ter que retirá-lo da agência?

– Tudo o que posso dizer é que corremos perigo, Bev – fingiu Luc.

Olho? Que merda é essa? Bev estava preocupada com o olho?, pensou o detetive.

– Entre no elevador. Tem que estar vazio.

– Bev, eu não sou burro – disse Luc.

– Desculpe, senhor. Estou nervosa – ela suspirou no telefone e continuou – No painel numeral dos andares, você vai digitar uma sequência. 159-595. O elevador vai levá-lo andar.

– Obrigado, Bev.

– Espere, senhor. Quando for sair, o senhor terá que digitar o número ao contrário ou ficará preso no elevador.

– Entendi, obrigado.

– E caso não saiba, senhor Luc. Assim que entrar naquele lugar, o senhor estará fora do radar. Não há como ligar ou se comunicar com o mundo exterior.

– Dessa eu já sabia – mentiu Luc – O capitão tinha me informado sobre isso.

– Cuidado. Aquele andar… é uma loucura.

Luc Mobo se despediu de Bev com receios e perguntas na cabeça. Ele entrou no elevador e digitou a sequência 159-595. O elevador fez um barulho e começou a descer. Parou. As portas se abriram e Luc se deparou com um corredor feito de metal. Ele entrou e luzes se acenderam ao longo do corredor.

– Capitão Frank, o que você está escondendo da gente? – questionou Luc em voz baixa.

Ao fim do corredor havia uma porta de metal. Ao lado, um painel também de numerais. Luc digitou a sequência novamente. A porta de metal se abriu pesadamente. Mobo deduziu que ela devia ser forte o bastante para resistir a uma explosão ou até o desmoronamento do prédio.

Assim que a porta se abriu, Luc viu vários lasers de segurança desaparecerem. Era um grande salão feito de metal do piso ao teto com vários compartimentos – cerca de dez segundo a contagem de Mobo. Havia dois compartimentos lacrados por uma porta de metal e um painel ocular. Os outros eram fechados por um painel numeral e vários lasers de segurança ao redor da porta. Havia também muitos avisos de perigo nas portas e Luc Mobo – um homem que quase não sentia medo, exceto quando faltava hamburguer na lanchonete do Mike – sentiu medo quando enxergou várias placas de aviso ao redor das portas constando a frase: AMEAÇA GLOBAL.

– Maldição… Maldição… O que o capitão Frank está fazendo? – sussurrou o rapaz para si mesmo.

Havia uma gaveta transparente alocada a parade e foi lá que Luc Mobo viu o objeto. Qualquer um diria que era um simples colar. Um pequeno cordão se desenrolava das pontas do objeto feito em prata. O artefato possuía o formato de um olho parecido com aqueles do Egito Antigo. Havia uma descrição em latim ao redor do olho. Mas, quem o visse, pensaria que era um olho petrificado devido aos detalhes perfeitos.

Luc se aproximou do objeto. Havia um painel numeral ao lado da gaveta onde ele estava. O detetive tentou ler a descrição em latim, mas o vidro transparente estava embaçado como se alguém tivesse suspirado perto dele.

Luc engoliu a saliva e digitou a sequência numeral. Mesmo sabendo que poderia ser outra e se fosse outra, ele ficaria preso ali até a volta do capitão ou da segurança nacional. Isso se a segurança soubesse o que o capitão Frank estava guardando ali.

A gaveta saiu automaticamente para fora e assim que isso aconteceu, Luc entendeu que a descrição era uma mistura de latim com egípcio antigo e uma outra língua ainda mais antiga. Uma que Luc não conhecia. Mas o detetive conseguia completar a descrição apenas entendendo as partes em egípcio e latim.

Olhar pelo olho antigo revelará a verdade desconhecida.

Usar o olho antigo o levará até a verdade desconhecida.

Luc Mobo removeu o olho do lugar e colocou no pescoço. Olhou de volta para as portas lacradas. A parte de trás do artefato era exatamente igual a parte da frente, exceto pela descrição.

Olhe pelo olho antigo e veja a verdade desconhecida.

Use o olho antigo e vá até a verdade desconhecida.

Uma alertava sobre o uso e a outra incentivava o uso. Luc estava preocupado com o artefato. Ele mesmo era um caçador de artefatos por hobbie quando estava de folga ou de férias. Mas nunca tinha ouvido sequer falar sobre um olho antigo.

Luc não era muito crente ao poder de objetos. Ele achava que a época da magia tinha ficado para os livros. Então ele fez o que qualquer um não tinha feito há anos. Luc Mobo olhou através do olho antigo.

Luc se viu viajando pelo espaço em uma velocidade incontrolável. Seu próprio corpo estava sendo esticado para um lado e para o outro. Seus olhos estavam querendo saltar de seu rosto enquanto ele caiu em espiral rumo a uma luz branca. Luc lutou para não ser sugado para a luz, mas ela era forte. O detetive achou que a qualquer momento ia se desfazer em pedacinhos naquele túnel de estrelas e espaço. 

Mas de repente, Luc Mobo estava diante do prédio onde o Aranha Negra dissera que ia estar. O artefato estava em suas mãos. As pernas do detetive falharam e ele caiu no chão, tremendo. Luc tateou o seu corpo conferindo se todas as partes ainda estavam no lugar.

Foi então que vieram os gritos e Luc acordou para a realidade. Vidros estavam estilhaçados pelo chão. Dois carros batidos em frente ao local. Pessoas caídas no chão, machucadas.

Luc Mobo olhou para o local onde deveria estar o prédio da agência. Entretanto, se assustou ao perceber que o prédio havia sumido.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

 

Naquela tarde, Luc Mobo admirava a beleza da vara de Arão ao lado de Ygor.

– Nem sei como agradecer – disse o dono do museu.

– Pode comprar outra TV 4K curvada e estamos quites.

– É um preço pequeno.

– Mas posso te revelar um segredo? 

Ygor assentiu.

– Eu já sabia dos roubos no museu antes mesmo de você me contactar.

– Sério?

– Sim, por isso trouxe a vara até aqui. Uma atração tão digna chamaria a atenção do bandido.

– Luc, não sei o que faria sem você – disse Ygor colocando a mão no ombro do detetive.

 – E tem outra coisa que preciso revelar – Luc Mobo se aproximou do ouvido do dono do museu – A vara é falsa.

FIM

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

– Ezequiel fugiu da cadeia, Luc – disse Ygor naquela tarde enquanto o museu enchia de gente para ver a nova atração.

– O quê? – questionou Luc.

Zack se aproximou junto com o chefe da segurança do museu. Eles estavam na sala de controle observando os visitantes quando Ygor recebera uma mensagem no celular.

– Eu pedi para o delegado me manter informado sobre o caso Ezequiel depois que Luc o capturou – explicou Ygor – E o delegado acabou de me dizer que ele fugiu depois de subornar um guarda com vale refeição.

– E o que a polícia está fazendo? – perguntou Zack.

– Estão na procura, mas até agora não sabem a localização.

– Mas que droga. É por isso que a cidade está esse lixo, a porcaria da polícia não sabe fazer o serviço deles – resmungou Zack.

– Fica calmo, rapaz – disse o chefe do segurança.

– Droga – falou Luc – Acabou o café.

– O que faremos, Luc?

– Nada.

Todos olharam para o detetive.

– Como assim? – disse Zack.

– Por que Ezequiel voltaria para cá? Ele vai fugir para outra cidade agora que escapou, como ele sempre faz.

– É – Ygor cruzou os braços – Acho que ele tem razão.

– Ele não vai voltar, posso garantir. Estamos seguros. Continue os procedimentos de segurança.

Embora relutantes, eles confiaram na palavra do senhor Mobo. E mesmo assim, naquela noite, Ezequiel, mais conhecido nessa história como o ladrão sujo, retornou ao museu. Driblou as câmeras, usou a senha numeral, entrou no cofre e fugiu com a vara de Arão. Ezequiel estava manco devido ao atropelamento, mas sua habilidade ainda estava intacta.

O ladrão foi até o local de encontro e entregou a vara ao verdadeiro ladrão infame.

– Agora todos os museus do mundo vão querer pagar milhões por essa belezinha.

No dia seguinte, Luc não pagou a entrada no museu. Isso porque havia uma dúzia de policias no museu interrogando.

Quando Ygor o viu, correu até o detetive.

– Roubaram, Luc! Roubaram a vara de Arão.

Zack e o chefe de segurança estavam conversando com os policiais.

– Ninguém precisa se preocupar! – exclamou Luc chamando a atenção de todos – Eu coloquei um rastreador na vara.

Todos olharam incrédulos para o detetive.

– Conversei com o delegado e a essa altura, a polícia já deve ter chegado a casa do verdadeiro ladrão.

– Verdadeiro ladrão? – questionou Zack.

– Exato. Desde o início, nunca me convenci de que Ezequiel era o verdadeiro ladrão. Então eu pedi para o delegado deixar Ezequiel escapar.

– Como é?! – Ygor falou mais alto do que pretendia.

– Eu tinha certeza que um gatuno da categoria de Ezequiel ia voltar para roubar a vara afim de ganhar uma grana por isso. Então eu só uni o útil ao agradável.

– Genial! – disse Ygor dando um tapa nas costas de Luc.

– Ora, ora, devo lhe dar os parabéns – falou Zack – Eu fiquei muito surpreendido com sua inteligência, como eu já dissera anteriormente.

Luc assentiu com a cabeça.

– Então acho que não temos muito o que fazer por aqui – continuou Zack – Vamos reabrir o museu com sua atração principal.

– Está com muita pressa, Zack? – perguntou o senhor Mobo.

– Quem… Quem? Eu? Não.

– Que ótimo. Pois você vai para a prisão.

O vice presidente do museu olhou para os lados e correu. No entanto, Luc jogou um bumerangue na direção dele. Quando atingiu as pernas do pilantra, o bumerangue soltou cordas que se enrolaram na canela do bandido e este caiu.

– Este brinquedo é uma cortesia do meu amigo Aranha Negra – regozijou Luc.

Você, caro leitor, pode adquirir agora mesmo o bumerangue do Aranha pelo site: LojadoAranhaNegra.com. Todos os lucros serão doados para entidades carentes.

Ygor estava sem entender, assim como a polícia.

– Este é o seu criminoso, Ygor – disse Luc se aproximando de Zack – Eu fiquei em dúvida no início porque não entendia as motivações de Zack, mas com o tempo, passei a perceber no modo como ele tratava o museu. Ele odeia esse lugar e mais ainda, odeia você, Ygor.

– Mas por quê? – questionou Ygor.

Luc Mobo algemou o bandido e colocou o bumerangue de volta no bolso do jaleco.

– Ser vice é uma merda! Eu estou sempre a sua sombra, estou sempre a sombra de alguém – vale assaltar que Luc estava fazendo sombra para Zack naquele momento – Eu queria levar você a falência e depois comprar este lugar para montar um novo museu com o nome Zack para brilhar.

– Levem ele daqui – disse Luc para os policiais.

– Tudo teria funcionado se esse detetive intrometido não tivesse aparecido.

– Acho que já ouvi essa frase em outra série – falou Luc sorrindo.

Zack foi levado para a delegacia onde o condenaram a sete anos de prisão. Ezequiel não foi muito longe e também foi condenado. Entretanto, na manhã seguinte, o nome de Ezequiel apareceu na primeira página de todos os jornais, blogs e sites da cidade. E Zack só foi citado nas entrelinhas.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

No dia seguinte, Luc reapareceu no museu. Pagou a entrada e olhou para tudo como se fosse a primeira vez.

Mas quem veio encontrá-lo quando soube de sua chegada, foi Zack.

– Ah, olá Zack. Como vai? – cumprimentou o detetive.

– Olá, senhor Mobo. Soube do que aconteceu ontem?

– O quê?

– Roubaram a maleta com a vara de Arão.

Luc Mobo sorriu olhando para o cálice de Belzasar.

– Sempre sonhei tomando café neste cálice.

– Está me ouvindo, senhor Mobo? Roubaram a vara de Arão!

– Não roubaram. Está no meu carro – disse Luc.

Zack revirou os olhos e colocou a mão no ombro do detetive.

– Como é?

– Eu capturei o ladrão ontem a noite enquanto ele tentava roubar a vara.

– Então quer dizer que você descobriu quem estava por trás dos roubos?

Luc assentiu com a cabeça enquanto olhava para Zack com o rosto cheio de orgulho.

Zack abraçou o detetive apertado.

– Obrigado, senhor Mobo! Obrigado.

– Ei, ei, ei, não precisa disso.

– O senhor não sabe como essa vara é importante para o nosso museu. Colocamos o cartaz anunciando e imagine como poderíamos dizer ao público que nosso artefato mais importante sumiu.

– Eu entendo. Alias, você tem um pouco de café aí?

Zack soltou uma gargalhada.

– O senhor é muito engraçado. Devo confessar, no início achei que você era um babaca.

– A maioria das pessoas pensa isso – disse Luc.

– Venha, vou te servir um café enquanto o senhor me conta sobre esse ladrãozinho que estava roubando nosso museu.

A grande verdade era que o ladrão apreendido por Luc era apenas um gatuno chamado Ezequiel. Ele vinha furtando vários artefatos de outros museus em muitas cidades. A mais recente condenação de Ezequiel tinha sido em Willy City, de onde ele conseguira escapar depois de subornar um guarda com vale refeição.

Naquela noite, a vara de Arão estava sendo colocada em uma vitrine onde seria exibida ao público no dia seguinte.

– Sinceramente, não sei o que faríamos sem você, Luc – disse Ygor.

– Você não vai querer me agarrar igual ao Zack, né?

Zack, que admirava a beleza da vara, deu uma gargalhada.

O isqueiro pairava inquieto na mão de Luc Mobo. Seu plano estava funcionando.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

A explosão no hotel causara muito audiência indesejada enquanto Luc Mobo só queria uma cama para deitar.

Depois de muito alvoroço, repórteres, bombeiros, policiais e paramédicos, Jerry chegou com um pouco de café quente em uma xícara.

– Oh, quem dera Jesus tivesse feito todas as pessoas com um cérebro igual ao seu, Jerry – disse o detetive sorrindo – Tudo o que precisamos depois de uma explosão é um pouco de café quente.

Se Jerry não conhecesse o senhor Mobo diria que ele estava caçoando de sua cara, mas não era. Luc adorava um bom café depois da ação, principalmente após as tentativas incansáveis de assassinato.

O recepcionista também estava com um envelope endereçado ao detetive.

– Quando o senhor chegou, eu acenei com a mão para dizer que havia uma correspondência.

– Eu pensei que você estivesse dizendo olá – disse Luc.

Jerry olhou para o detetive, desconcertado.

– Eu também estava dizendo olá.

Luc pegou o envelope e abriu. Havia uma folha de caderno com uma mensagem escrita. 

DEIXE O MUSEU PARKER FORA DE SEUS NEGÓCIOS.

O detetive dobrou a folha cuidadosamente e a colocou de volta no envelope. Depois, tomou um gole de café em silêncio.

– Está em perigo, senhor Mobo?

– Jerry, posso lhe contar um segredo?

– Claro.

– Esses desgraçados destruíram minha TV 4K curvada.

O recepcionista franziu a testa enquanto Luc tomava outro gole de café.

– E sabe o que é pior? – perguntou o detetive.

– O que?

– Ainda não terminei de pagá-la.

Jerry pensou que Luc Mobo ia chorar, mas o detetive apenas terminou de beber o café em silêncio. Bom, não em tanto silêncio. Sabe como é, né? Luc gostava de falar muito.

– E sabe o que é pior ainda?

– O que? – indagou o recepcionista nem tão empolgado.

– Ela não estava no seguro.

No dia seguinte, Luc foi até o museu Parker. Havia um grande cartaz na entrada sobre a nova aquisição do museu e o dia de lançamento. Você pode ver o que estava escrito no cartaz em MuseuParker.com.

Luc Mobo pagou meia entrada porque tinha um cartão de desconto. Anteriormente, ele tinha tentado pagar a entrada com vale refeição e quase foi expulso pelo caixa. Vale um adendo aqui, não tentem subornar um caixa de museu com vale refeição.

O detetive observou todas as obras do museu como se fosse a primeira vez que estivesse ali. Seus olhos brilhavam a cada nova peça.

Naquele momento, Ygor apareceu.

– Luc?

– Olá – disse o detetive cumprimentando o amigo.

– Eu soube do que aconteceu no seu apartamento.

– Sim, ele explodiu.

– Eu tentei ligar, mas seu celular só dava caixa postal.

– Eu desliguei aquela porcaria. Não queria ouvir um monte de gente lamentando.

– Como assim?

– Ah, você sabe – disse Luc – Eu tive que responder um monte de inquérito policial e passar por exames médicos. Devo acrescentar que essa parte foi boa, a enfermeira que me atendeu era muito bonita.

– E o que eles disseram?

– A mesma coisa de sempre. Colocaram uma bomba no seu apartamento, senhor Mobo.

– Uma bomba?! – Ygor percebeu depois que tinha falado alto demais – Porcaria, colocaram a merda de uma bomba no seu apartamento?

– Sabe o que é pior? 

– O quê?

– Destruíram minha TV 4K curvada.

Ygor franziu a testa olhando diretamente para Luc que parecia distraído com uma pintura.

– Eu nem tinha terminado de pagar – lamentou o detetive – Malditos bastardos.

Ygor ficou algum tempo em silêncio achando que Luc ia começar a chorar, mas o detetive apenas prosseguiu seu tour pelo museu.

– Escuta, Luc – disse Ygor quando achou que era seguro falar alguma coisa – Você acredita que isso foi por causa da vara e dos roubos?

– Havia uma mensagem idiota na recepção. Alguém querendo me amedrontar. Mas ele não perde por esperar.

– O que você vai fazer, amigo?

Luc Mobo virou na direção de Ygor e chacoalhou o bolso do jaleco marrom surrado.

– Você tem café aí?

Naquela noite, uma sombra driblou os alarmes e as câmeras do museu Parker. Andou furtivamente pelos corredores até a porta com senha de numeral. Digitou a senha. A porta se abriu e a sombra daquele ladrão infame… infame é um adjetivo ridículo para uma história de mistério… aquele ladrão sujo entrou no cofre, pegou a maleta onde estava a vara de arão e saiu correndo para a saída.

Entretanto, assim que o ladrão sujo estava fora do museu, a luz de um veículo surgiu ofuscando seus olhos por baixo daquela máscara suja.

Dentro do veículo estava Luc Mobo. O ladrão sujo estava paralisado como se não esperasse por tal rendição. Luc gritou do carro:

– Essa é a hora que você corre.

O meliante sujo (Tá, eu vou parar de falar de sujo) correu, mas Luc Mobo acelerou e atropelou o facínora. O detetive saiu apressado do veículo e encontrou o ladrão desmaiado.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)

*ESTA HISTÓRIA NÃO FAZ PARTE DA SAGA CAOS.

Talvez você não conheça, o senhor Mobo. Ou talvez já tenha ouvido falar dele. Quer sim, quer não, gostaria de relatar um de seus casos e mostrar-lhes a genialidade dentro de um ser bastante… estranho.

Luc Mobo – esse era seu nome completo – era um detetive da grande agência Columbus há algum tempo. Mesmo assim, costumavam dizer que ele tinha um espírito mais aventureiro do que investigador. Ele foi criado por Merry e Jessie Mobo na Inglaterra e depois passou a morar em Nova York, onde costumava lecionar aulas particulares.

Nossa história se passa no museu Parker, um lugar que costumava apresentar relíquias bíblicas, inclusive diziam que a verdadeira versão da bíblia de Martinho Lutero se encontrava no museu Parker em Nova York.

Luc estava retornando de uma viagem arqueológica as margens do monte Sinai. E o rapaz havia encontrado uma relíquia valiosa: a vara de Arão.

Retomando para um adendo bíblico, a vara de Arão tinha florescido durante a noite para provar que ele era o escolhido por Deus para ser sacerdote do povo hebreu. Outras onze varas também haviam sido colocadas, mas somente a de Arão floresceu. Depois disso, a pedido de Deus, Moisés colocou a vara dentro da Arca da Aliança junto com as placas de pedra onde estavam escritos os dez mandamentos. Infelizmente, depois de tantas destruições e guerras, a Arca havia se perdido assim como a vara de Arão.

Mas Luc Mobo estava entrando no museu Parker naquele momento com a vara de Arão dentro de uma mala grande. Eu poderia lhes contar como nosso herói encontrou esse artefato considerado sagrado, mas isso seria como contar uma piada do fim para o começo.

O administrador do museu Parker era um homem chamado Ygor, um velho amigo de colégio do detetive Mobo. Ygor veio ao encontro de Luc assim que o detetive cruzou as portas do museu.

– É tão bom revê-lo, velho amigo – disse Ygor.

– Amigo sim, velho não – falou Luc com um sorriso de idiota no rosto.

– Bom saber que seu humor continua o mesmo.

Ao lado de Ygor estava um homem trajando um paletó e sapatos bem lustrados.

– Este é meu vice, Luc – apresentou Ygor – O nome dele é Zack.

Luc Mobo ia cumprimentar o vice presidente do museu, mas acabou se atrapalhando com o peso da mala e caiu derrubando a maleta no chão. 

– Jesus! – gritou Zack correndo para pegar a mala.

Ygor sorriu e ajudou Luc a levantar.

– Peço desculpas pelo meu jeito – falou Luc.

– Você tem alguma noção do quanto isso vale? – questionou Zack segurando a mala com as duas mãos – Este é o artefato mais valioso dos últimos três mil anos.

– Não precisa exagerar, Zack – disse Ygor – Venha, Luc.

O detetive Mobo já havia visitado o museu Parker algumas vezes e mesmo assim, olhava para os quadros e artefatos como se fosse a primeira vez que estivesse ali.

– Adoro este – disse Luc apontando para um cálice marrom.

– O cálice de Belzasar.

– Algumas vezes já sonhei tomando um bom café neste cálice.

Ygor sorriu. Zack franziu a testa. Era a primeira vez que o via, mas já tinha ouvido falar de Luc.

– Infelizmente estamos tendo problemas aqui – disse Ygor.

– Problemas?

– Você deve ter visto no jornal. Tentaram furtar o museu duas vezes e conseguiram levar um papiro que continha escritos de Salomão.

Luc fitou Ygor, parecia estar prestando atenção.

– A polícia está investigando, mas não sei se irão conseguir encontrar. Tem noção de quanto valia aquele papiro?

– Espere… – disse Luc de repente – Está ouvindo?

Zack olhou para ele e depois para Ygor.

– Minha perna esquerda está estralando – falou o detetive movimento a perna – Acho que isto é efeito colateral da viagem. 

– Se me permitem, irei guardar o artefato – disse Zack.

– Espere, Zack. Eu levarei ao cofre onde mostrarei alguns esquemas ao senhor Mobo.

Luc assentiu com a cabeça embora continuasse movendo a perna.

– Talvez ele tenha alguma ideia para dar.

Zack assentiu fitando o detetive. Ele devia estar pensando que Luc era um idiota e tinha razão.

– Venha, Luc.

– Foi um prazer conhecê-lo, Zack. 

Luc e Ygor andaram por alguns corredores e depois acessaram uma porta com uma senha numeral. Dentro, havia um sistema complexo de câmeras e chaves para acessar a diretoria, armários de funcionários e o cofre.

– Gente boa esse Zack. Gostei do sujeito – confessou o detetive.

– Sério? Achei que gostaria dele. É um ótimo assistente.

– Quem tem acesso a isso? – perguntou Luc apontando para o sistema e as chaves.

– Apenas as pessoas da administração.

– Quantas pessoas?

– Cinco.

Os dois foram até o cofre, um local quadrado, grande e arejado, maior do um quarto de casal. Haviam caixas e prateleiras.

– Isso aqui é muito valioso para a gente – disse Ygor.

Luc observou o local com as mãos dentro do jaleco marrom surrado que ele costumava usar. Existiam muitas histórias sobre esse jaleco e como Luc o obtivera, mas prefiro acreditar que era presente de seus pais. Assim como o isqueiro com o adesivo do pernalonga – embora ele não fumasse. Luc levava esse objeto para todo lugar e quando estava pensando fervorosamente em seus casos, ele costumava passar esse isqueiro de uma mão para outra. Certa vez, ele perdera o isqueiro em casa e colocara todos os móveis para fora afim de encontrá-lo. Algumas pessoas que passavam achavam que era leilão ou coisa do tipo.

– Com essa vara, o museu Parker vai conquistar o mundo, meu amigo – Ygor colocou a maleta no canto e sorriu para Luc.

O isqueiro estava na mão direita do detetive. Luc estava pondo em prática seu plano.

Naquela noite, após comer um hambúrguer no Big Mike – coisa que Luc costumava fazer meticulosamente duas vezes por semana – o detetive voltou para seu apartamento.

Jerry – o recepcionista – acenou quando Luc passou por ele e entrou no elevador rumo ao quinto andar.

Luc Mobo andou rumo ao quarto 512, onde ele morava há quase oito anos. A chave adentrou na fechadura e no momento em que girou, Luc ouviu um “trac”. O detetive saltou para o lado e quase foi atingido pela explosão.

A porta foi consumida pelo fogo e a parede de frente ao quarto ficou manchada de preto depois que as chamas baixaram.

Caído no chão, Luc Mobo, suspirou fundo com os olhos arregalados.

– Merda.

CONTINUA…

POR NAÔR WILLIANS (ÔMEGA BR)